Sem Segredo: maioria dos ouvintes apoia a volta da disciplina de Educação Moral e Cívica, mas pede cuidado com vínculos políticos e partidários
Os vereadores Mateus Wesp (PSDB), Ronaldo Rosa (SD), Renato Tiecher (PSD) e Roberto Toson (PSB) protocolaram na semana passada na Câmara de Vereadores um projeto de lei que institui a disciplina de “Educação Moral e Cívica” na grade curricular das escolas municipais de Passo Fundo. O projeto passará ainda pelas comissões da Casa antes de ir à votação em Plenário.
Conforme a justificativa da matéria, o objetivo é auxiliar na preservação, fortalecimento e projeção dos valores éticos da nacionalidade. Por isso, o Sem Segredo desta semana perguntou se a volta desta disciplina nas escolas municipais pode ajudar na formação de cidadãos comprometidos com o país, como pretendem os vereadores.
No estúdio, participaram do programa o vereador Mateus Wesp e o professor de Filosofia do Instituto Federal Sul-Rio-Grandense, Sidinei Cruz Sobrinho. A maioria dos ouvintes apoia a volta da disciplina de “Educação Moral e Cívica” nas escolas municipais e acredita que ela pode ajudar na formação de cidadãos comprometidos com o país, mas pede cuidados com a forma que ela pode ser ministrada. Segundo os ouvintes, não deve haver vínculos políticos ou partidários durante o ensino, e o professor precisa ter a liberdade de ministrar a disciplina da forma que achar correta.
O vereador Mateus Wesp explicou que o projeto não busca vincular-se com a ideia de regimes políticos de exceção ao estado de direito. Esclareceu que o objetivo não é prestigiar o nacionalismo como doutrina ou ideologia política. Declarou que a nomenclatura de usar a expressão “Educação Moral e Cívica” foi utilizada devido à facilidade do conteúdo vincular-se a ideia de nação.
Na visão do professor de filosofia Sidinei Cruz Sobrinho, as pessoas remetem a “Educação Moral e Cívica” ao saudosismo, não ao objetivo do acesso aos valores éticos, mas também ao nacionalismo e a conotação autoritária que a educação moral e cívica teve em outras épocas. O professor fez uma ressalva que antes mesmo de discutir a viabilidade da moral e cívica, é preciso discutir a finalidade e a possibilidade disso dentro de um contexto educacional e qual a função da escola no momento em que vivemos.