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Saúde

Sem Segredo: maioria dos ouvintes acredita que não há motivos para pânico, mas é preciso prevenção contra o coronavírus

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru

A prevenção ao coronavírus foi o assunto do último Sem Segredo na Uirapuru. No programa, os ouvintes foram questionados sobre como estão encarando esta ameaça. Participaram do programa o médico e diretor do Campus da UFFS de Passo Fundo, Júlio Stobbe, e a enfermeira da vigilância epidemiológica do município, Raquel Carneiro.

A maioria dos ouvintes declarou que está fazendo algum tipo de ação para prevenir o novo coronavírus. Ressaltaram que ainda não há motivos para pânico, mas é preciso ficar atento ao assunto e se prevenir contra a doença, cuidando da saúde e mantendo o organismo saudável, ainda mais quando o inverno chegar. Alguns ouvintes ainda sugeriram que coletivos urbanos disponibilizem álcool gel, principalmente para cobradores e motoristas, já que diversas pessoas usam ônibus para se locomover todos os dias.

Ouça a opinião dos ouvintes:

O médico e diretor do Campus da UFFS de Passo Fundo, Dr. Julio Stobbe, explicou que houve três tipos de coronavírus ao longo dos últimos tempos. O primeiro, em um surto que aconteceu principalmente na China, em 2002, mas que logo foi contido. Após isso, outro subtipo do vírus surgiu em 2012, causando, principalmente na Arábia Saudita e 27 países da península arábica, um surto com praticamente mil mortes.

De acordo com Stobbe, camelos eram reservatórios do vírus na época, o que é preocupante também para os dias atuais, já que animais ficam como reservatórios até chegar um determinado momento em que o vírus sofre mutação e passa a ser transmitido em humanos. Segundo o médico, isso é o que pode ter acontecido no surto atual do Covid-19.

Sobre as diferenças entre a gripe H1N1 e o novo coronavírus, o médico explicou que, em termos de natalidade e de contágio, o grau de fatalidade do Covid-19 é de 2,3% a 3%. Já os números do H1N1 não chegam a 1%. Outra questão abordada por ele, foi que o contágio do coronavírus é mais rápido, podendo ser transmitido para até três pessoas de uma vez só. Com isso, comparado ao H1N1, o Covid-19 tem uma disseminação mais rápida e grau de complicação maior.

Dr. Julio Stobbe declarou que não considera um exagero a forma que o novo coronavírus está sendo tratado no Brasil. Segundo ele, a decisão de declarar o vírus como pandemia foi feita após análise de vários pontos criteriosos, que, se tivessem sido feitos de forma errada, poderiam ter acarretado impactos gigantescos. Felizmente, de acordo com o médico, as medidas estão sendo tomadas nos momentos corretos, mesmo com o processo mudando constantemente.

Ouça a entrevista com o médico e diretor do Campus da UFFS de Passo Fundo, Dr. Julio Stobbe:

A enfermeira da Vigilância Epidemiológica de Passo Fundo, Raquel Carneiro, declarou que o município conta com um plano de contingência do coronavírus pronto desde fevereiro. Segundo Raquel, no plano consta como proceder quanto a uma possível epidemia, preparando colegas a nível hospitalar e coordenadorias, trocando informações quanto ao novo vírus. Através dele, já foram feitas reuniões com hospitais e ações na rede da saúde. De acordo com a enfermeira, uma possível epidemia tem etapas, por isso o processo é dinâmico e a cada dia é preciso desenvolver habilidades para tratar e conter o Covid-19.

Raquel ressaltou que o atendimento básico ao paciente acontece desde a Unidade Básica de Saúde até o hospital. Ressaltou que, através de medidas básicas de higiene e etiquetas respiratórias, é possível evitar a contaminação. Explicou que a higiene das mãos é o fator principal pelo fato de usarmos elas para tudo, desde pegar utensílios até coçar o olho, o que pode espalhar o vírus. Também ressaltou que é preciso fazer higienização de objetos e espaços compartilhados. A orientação neste momento, segundo Raquel, é se proteger e, em caso de sintomas, procurar a unidade de saúde mais próxima, onde as equipes já estão orientadas.

Ouça a entrevista com a enfermeira da Vigilância Epidemiológica de Passo Fundo, Raquel Carneiro:

Participando do programa por telefone, a médica infectologista do Hospital São Vicente de Paulo, Cristine Pilatti, declarou que o hospital elaborou seu comitê de gerenciamento de crise há mais de dois meses para trabalhar com o novo coronavírus. De acordo com Cristine, o hospital está preparado para receber pacientes graves em locais específicos da instituição, com espaço tanto na unidade da rua Uruguai, quanto na matriz. Inclusive, ela contou que, em um ato de se preparar para a crise, uma sala da matriz será reservada para possíveis pacientes graves de coronavírus, com ar que não circula em outros ambientes do hospital.

A médica infectologista também revelou que o Ministério da Saúde criou, recentemente, um aplicativo chamado “Coronavírus”, que mostra o que é considerado caso grave ou leve, através de uma triagem do paciente pela internet. O aplicativo também esclarece critérios de gravidade, quando procurar um hospital ou ficar repousando e comunicar a vigilância epidemiológica do município.

Sobre uma projeção de quantos casos devem ocorrer em Passo Fundo, Cristine disse que é temeroso falar, já que apenas em duas ou três semanas teremos noção do comportamento do vírus na região. Porém, ela afirmou que aproximadamente 500 casos graves devem acontecer, com pacientes precisando ir até o hospital.

Ouça a entrevista com a médica infectologista do Hospital São Vicente de Paulo, Cristine Pilatti: