Sem Segredo: maioria dos ouvintes acredita que conduta de jovens é influenciada pelo ambiente onde vivem
Na quarta-feira passada, dia 13, um massacre na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, São Paulo, com 10 mortos, chocou o país. Após tirar a vida de oito pessoas, entre estudantes e funcionários, Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25, se mataram. No carro dos criminosos a polícia encontrou dois cadernos com anotações sobre games de tiros e táticas de jogo. Isso levantou o debate sobre a influência de videogames e filmes violentos, bullyng e incentivo ao uso de armas, na personalidade e na conduta de crianças e adolescentes. O tema foi discutido no programa Sem Segredo de sábado (16).
A maioria dos ouvintes acredita que o ambiente onde os jovens vivem, a estrutura familiar, as pessoas com quem eles convivem, tem muito mais influência no comportamento deles do que qualquer outra coisa. Os videogames violentos, por exemplo, seriam secundários. Alguns ouvintes também manifestaram a importância de Deus na vida de crianças e adolescentes.
O professor da ciência e computação da UPF, Adriano Teixeira explicou que as pessoas têm o seu comportamento espelhado na interação, na família, nos amigos, na escola, na sociedade onde estão inseridas. Disse que em uma resposta rápida, os jogos poderiam mudar sim o nosso comportamento, mas a questão é comprovar que eles têm uma ligação direta com esse tipo de violência. Contou que no Brasil são ao todo 75 milhões de gamers e, com base nas estatísticas, não teria relação os jogos com esse tipo de conduta criminal. Em relação à exposição prolongada a jogos online, o docente disse que queda do rendimento escolar, diminuição do tempo de sono e cansaço, uso escondido de tecnologia e manifestação verbal ou física que não seja condizente com o núcleo familiar, são elementos que devem ser prestados atenção. Frisou que o papel dos pais é sempre importante.
O professor de psicologia da Imed, Israel Kujawa explicou que esse episódio em Suzano pode ser entendido se for relacionado com outras questões: comportamento dos adultos com as crianças, segurança pública, psicologia e educação. Destacou que ocorre hoje uma infantilidade da sociedade, onde os papéis sociais foram invertidos. Falou que para problemas complexos não existem soluções simples. É preciso entender esses episódios dramáticos como uma patologia da sociedade que envolve um tipo de comportamento que precisa ser modificado. O psicólogo salientou que esse comportamento é o Educacional, seja dos pais, seja dos professores, de desenvolver mais o aspecto humano, o respeito ao diferente e a agregação independente das suas condições econômica, social e intelectual. Destacou que o ser humano tem na sua constituição uma dimensão da harmonia, do bem, do social, mas também da violência, da agressividade e da dificuldade de conviver com os outros.