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Tradição

Sem Segredo: é preciso preservar tradição gaúcha sem deixar cair no esquecimento, avaliam participantes

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru

A pandemia do coronavírus roubou dos gaúchos alguns dos momentos mais importantes: a roda de chimarrão, os churrascos com os amigos e as atividades em grupo foram todos impedidos para que a contaminação não continuasse. Ontem, 20 de setembro, Dia do Gaúcho, foi a primeira vez da história do Rio Grande que muito pouco pôde ser feito para celebrar a data.

A Uirapuru realizou no último sábado (19) um Sem Segredo Especial falando sobre os costumes, o palavreador e a tradição gaúcha, que sofreram algumas mudanças com o passar dos tempos. Participaram do programa a Presidente do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), Gilda Galeazzi, o secretário municipal de Cultura, Henrique Fonseca, o tradicionalista Orlei Caramês e o músico Rodrigo Cavalheiro.

O secretário Henrique Fonseca destacou o vocabulário típico gaúcho, que usa de palavras só nossas para traduzir expressões cotidianas. Qualquer pessoa de fora do Estado talvez não entenda, mas entre os gaúchos as palavras são normais e peculiares.

Ele explicou que Veríssimo da Fonseca, um pediatra e estudioso da cultura gaúcha, relatou em várias obras escritas que o gaúcho é o resultado de uma cruza do europeu com indígenas. O Estado teve sua origem sobre o domínio português e depois se fundiu com os países vizinhos.

Fonseca citou que as aptidões do gaúcho não são discutidas entre nenhum dos historiadores, sendo que foi perfeitamente identificado o valor guerreiro do gaúcho em todas as lutas internas e externas, testemunhado por três séculos.

Ouça a entrevista com o secretário municipal de Cultura, Henrique Fonseca:

O tradicionalista Orlei Caramês disse que, desde o término da revolução, em 1845, o costume de saudar os heróis gaúchos se perpetuou na cultura do Rio Grande. Para que essa data não fosse mais esquecida, foi criado o Movimento Tradicionalista Gaúcho, reunindo os amigos, cantando, festejando e perpetuando os costumes da culinária campeira.A pandemia tirou isso dos gaúchos, impedindo essas atividades.

Orlei disse que, em 73 anos, estando há 60 no movimento gaúcho, ele nunca viu algo parecido. Houve uma ocasião de muita chuva que não aconteceu desfile, mas nunca por uma doença ou algo parecido. Para ele, é preciso ficar atento, não deixar cair a tradição no esquecimento. Disse que é preciso ficar alerta e manter os costumes vivos para que em 2021 possamos lembrar deste tempo sem esquecer a cultura gaúcha.

Ouça a entrevista com o tradicionalista Orlei Caramês:

Os ouvintes também participaram da programação destacando que gostam de tudo que os CTGs defendem e mantém vivo. Destacaram que o tradicionalismo prega o respeito, honra e a família. Para os ouvintes, culturas que pregam isso devem ser preservadas.

Ouça o que disseram os ouvintes:

A presidente do MTG, Gilda Galeazzi, disse que 2020 trouxe o desafio de não poder receber os amigos nos galpões, mas mostrou como o amor pelo Rio Grande segue vivo. Os tradicionalistas não deixaram tudo no esquecimento e mesmo na pandemia organizaram atividades para churrasco no modelo pegue e leve, por exemplo.

Para Gilda, isso tudo ficará na história para ser contada na próxima Semana Farroupilha, marcando 2020 na vida de todos.

Ouça a entrevista com a presidente do MTG, Gilda Galeazzi:

O músico Rodrigo Cavalheiro falou também sobre este momento e destacou que o vocabulário gaúcho é parte da história. Explicou que a nossa cultura tem muita influência gaúcha e disse que a cultura gaúcha é única e isso nos orgulha.

Ele finalizou dizendo que uma cultura tão rica, que está presente em tudo, deve ser preservada frente a qualquer momento que atravessamos. Porém, é inegável que algumas coisas mudam, especialmente no palavreado que passa a usar outras denominações para uma mesma atividade.

Para Cavalheiro, isso faz parte da evolução, sem deixar a tradição de lado.

Ouça a entrevista com o músico Rodrigo Cavalheiro: