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Economia

Sem Segredo: cortar impostos não garante redução no preço da gasolina

Públicado em Por RD Uirapuru / Mateus Miotto
Sem segredo: cortar impostos não garante redução no preço da gasolina
Sem segredo: cortar impostos não garante redução no preço da gasolina

A gasolina teve cinco reajustes e o óleo diesel quatro desde o início do ano.  Em algumas cidades do Brasil o preço da gasolina atingiu a marca de R$ 6,10.  Em Passo Fundo o valor do litro está na média de R$ 5,80.  O aumento gerou protesto na tarde da última sexta-feira na cidade.  Manifestantes saíram em carreata, da Petrópolis até o Centro de Passo Fundo, como forma de protesto contra o aumento dos combustíveis.  Para tentar conter a onda de aumento o Governo Federal mudou a presidência da Petrobras e vai zerar impostos federais, taxando os bancos, como contrapartida.  Nesse sentido o Sem segredo deste sábado (06) perguntou: zerar impostos federais vai reduzir o preço do combustível? Participam do programa Cleide Moretto, Vitor Dala Corte, ambos economistas além do representante da classe dos motoristas de aplicativos , Sidnei Machado, e o empresário do ramo dos postos de gasolina, Ricardo Tonial.

Na opinião dos ouvintes baixar impostos é um passo importante e o próximo seria privatizar a Petrobras. Os ouvintes defendem que, com um dono e não um governo os interesses ficam de lado e o preço baixa.

A Economista Cleide Moretto explicou que a alta dos combustíveis traz diferentes impactos econômicos nas cadeias produtivas e empresariais.  Ao elevar o preço da gasolina e do diesel, por exemplo, o transporte se torna mais caro e reduz automaticamente o lucro de quem trabalha com isso. O reflexo natural é repassar este custo extra para quem paga.

Porém, se o serviço se tornar muito caro diminui o número de contratações por ele e assim também o lucro. Neste contexto há empresários que absorvem este custo e outros que precisam repassar.  Na avaliação da economista a alta dos combustíveis prejudica mais o pequeno empresário e o autônomo. O grande empresário consegue adequar esta alta para minimizar o impacto, enquanto o pequeno não consegue. Cleide avaliou que a composição do preço dos combustíveis vai muito além dos impostos federais e há também o lucro dos empresários.  Para ela reduzir impostos federais ou simplesmente privatizar não é garantia de queda no preço, pois há muitos fatores envolvidos.

 

O empresário que representa a categoria dos motoboys e motoristas de aplicativo, Sidney Machado, explicou que com a gasolina beirando os R$6 ela se aproxima muito do custo mínimo da corrida por aplicativo. Isso inviabiliza até mesmo colocar o carro na rua.  Há motoristas que tentam então ganhar na quantidade e ficam até 16 hs nas ruas para conseguir algum lucro.  Sobre o protesto de sexta-feira afirmou que foi feito para dar um resposta e não deixar as coisas acomodadas. Alertou que se ninguém protestar logo a gasolina estará a R$ 10 Reais e tudo ficará impagável.

 

O empresário Ricardo Tonial, dono de um posto de gasolina na Avenida Brasil, explicou que o aumento de preços traz efeito negativo para os empresários. Isso aperta ainda mais a margem de lucros e arrasta outros custos embutidos. Disse que há 10 postos de gasolina que fecharam nos últimos anos e nunca mais reabriram devido a pouca margem de lucro e a competição por preços que existia. Respondendo ao motivo pelo qual os preços são reajustados no outro dia do anúncio de alta pela Petrobras, o empresário explicou que as novas cargas de combustível são diárias. No dia seguinte o caminhão entrega o combustível já com reajuste, obrigando o aumento.

 

Tonial também fez um alerta importante.  O preço do dólar segue alto e o etanol está subindo.  Amanhã, terça-feira, terá um aumento de 20% no etanol anidro misturado ao combustível.  A estimativa é de que isso faça a gasolina subir mais R$0,10 centavos, no mínimo.  Este fator acontece sempre no final da entre safra e deve reduzir com a entrada da safra daqui há um ou dois meses.