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Cidade

Sem acordo: promotor afirma que área da Manitowoc deve voltar para Prefeitura e ser aberta a licitação

Públicado em Por RD Uirapuru / Mateus Miotto

Nesta semana a PAR Soluções Agrícolas, do empresário Antônio Roso e Augusto Ghion Júnior, apresentou aos vereadores de Passo Fundo o plano de negócios para a retomada da atividade industrial na área da Manitowoc, que está paralisada após a saída da empresa da cidade, em 2016. Em reunião que ocorreu na tarde de quarta-feira (26), foi explanado o projeto para uso da área e da estrutura existente.

O empresário Antônio Roso relatou aos vereadores uma proposta que prevê o investimento de R$50 milhões, valor suficiente para iniciar a fabricação de implementos agrícolas, especialmente soluções relacionadas à armazenagem da produção, gerando diretamente 150 empregos no primeiro ano e 300 a partir do quinto ano de atividade.

Dentro da proposta o empresário apresentou o compromisso de ressarcir o município em R$31 milhões por eventuais prejuízos causados pela interrupção das atividades da Manitowoc, em 2016.O valor está acima do que foi determinado em primeira instância pela Justiça

O plano de negócios faz ainda uma projeção de faturamento da indústria, saindo de R$ 700 milhões no primeiro ano para R$ 1,4 bilhão no quinto ano de atividade. “Não estamos solicitando qualquer tipo de incentivo público neste momento. A proposta foi muito bem recebida pelos vereadores, que precisam aprovar estas ações”, destacou Roso.

Visita as instalações

Ontem pela manhã o empresário Antônio Roso realizou uma visita com os vereadores junto às antigas instalações da Manitowoc, em um terreno de 45 hectares, próximo ao Gran Palazzo, para apresentar aos mesmos como está a estrutura. A Uirapuru acompanhou esta visita e conversou com o empresário Roso, o qual destacou que tudo está conservado e pronto para que as atividades iniciem de forma imediata, caso assim seja necessário. Atualmente a PAR Soluções Agrícolas tem um custo de aproximadamente R$ 100 mil para a manutenção, conservação e segurança da área e benfeitorias.
O Presidente da Câmara de Vereadores, Alberi Grando, disse que a visita serviu para mostrar que toda a estrutura está em ótimo estado, mostrando que não há entraves para as atividades iniciarem e assim gerar empregos e renda. “A proposta será benéfica para a sociedade, que hoje tem um investimento parado há quase 8 anos, mas que voltará a funcionar em breve, no que depender da Câmara Municipal”. afirmou.

Ministério Público: “área deve voltar à prefeitura”

A Rádio Uirapuru buscou posição do MP que é parte nesse processo judicial e ouviu o promotor de justiça, Cristiano Ledur. Promotor acompanha o caso na justiça há anos, e citou que a posição do Ministério Público é conhecida e muito clara sobre esse tema. Segundo ele, existe uma decisão judicial, de 1ª instância, que devolveu a área para a prefeitura, incluindo as benfeitorias. “Essa posição está nos autos e é pela manutenção da sentença. Já nos reunimos com as partes envolvidas no processo em diversas ocasiões e nos posicionamos pelo cumprimento da decisão judicial, ou seja, que a área seja devolvida a prefeitura, para que possa ser destinada através de uma concorrência pública com possíveis interessados”, afirmou.

O promotor lembra que esse processo já era para ter sido julgado no Tribunal de Justiça (2ª instância), mas que por um pedido dos autores da ação e da prefeitura foi suspenso com o objetivo de buscar um acordo. No seu entender, “não existe possibilidade jurídica sem que se haja uma definição da ação, com a confirmação da decisão ou uma mudança na sentença”. Cristiano Ledur ressalta que o MP trabalha com o que diz a decisão judicial.

Sobre possível acordo

A Rádio Uirapuru questionou o promotor Ledur se ele seria a favor de um acordo. Ele reafirmou que o MP quer a devolução da área para o município, para posterior destinação de acordo com a legislação. Lembrou que existiram ao longo do tempo e no decorrer do processo, conforme noticiado, o interesse de outras empresas naquela área. “A partir do momento em que tem mais de um interessado, tem que ser ofertado. O ponto de partida de reutilização da área, seja de forma fracionada ou integral, é com ela retornando ao município, cumprindo a decisão judicial. Uma vez retornando, faça uma oferta pública a todos os potenciais interessados ”, finalizou o promotor.