Secretário da Agricultura projeta safra mais positiva e defende renegociação de dívidas na Expointer
O secretário da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul (Seapi), Edivilson Brum, avaliou de forma otimista as projeções climáticas e de produção para a próxima safra, durante participação na Expointer, no Parque Assis Brasil, em Esteio. Ele destacou que as análises apresentadas pelo Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos (Simagro-RS) e pela Emater indicam cenário favorável para o ciclo da primavera e do verão.
Brum afirmou que não há previsão de ocorrência do fenômeno El Niño, o que permite dar previsibilidade aos produtores. Segundo ele, o agricultor poderá se planejar para a lavoura em um contexto de clima normalizado, diferente das últimas safras marcadas por estiagens e enchentes. O secretário lembrou que há anos o Estado não registra uma colheita cheia.
Outro ponto ressaltado foi a expectativa de aumento de cerca de 20% na produção de milho. Brum explicou que essa elevação está relacionada à melhoria genética das sementes distribuídas pelo programa estadual de troca-troca, à qualidade do material utilizado e à ampliação da área irrigada. Ele recordou que, em períodos de estiagem, o Estado precisou importar milho, o que elevava o custo devido ao frete e comprometia a competitividade da produção local.
Na avaliação do secretário, o crescimento da safra impacta diretamente na geração de renda e emprego, já que o agronegócio representa aproximadamente 40% do Produto Interno Bruto do Rio Grande do Sul.
Em relação à Expointer, Brum destacou que a movimentação é intensa no setor da agricultura familiar e nos pequenos negócios. Porém, demonstrou cautela sobre os grandes volumes de negociação em maquinário, que podem não alcançar o mesmo patamar do ano passado.
O secretário também comentou sobre o endividamento dos produtores e a necessidade de medidas de apoio por parte do governo federal. Ele relatou que a proposta inicial da União, de uma medida provisória no valor de R$ 10 bilhões, não foi aceita pelas entidades do setor. A contraproposta apresentada prevê R$ 25 bilhões, sendo R$ 15 bilhões ainda neste ano e R$ 10 bilhões em 2026. Na avaliação de Brum, esse aporte seria suficiente para renegociar dívidas e dar condições para que os agricultores continuem produzindo.
Sobre a presença de representantes do governo federal na feira, Brum disse não haver confirmação da vinda do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro. Está confirmada, no entanto, a participação do ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, que deverá visitar o evento na quinta-feira.