Motoristas de Passo Fundo entre os mais multados do RS
Nesta semana o DETRAN/RS divulgou dados sobre o número de infrações aplicadas aos motoristas no Rio Grande do Sul em 2018. Os gaúchos foram flagrados cometendo 3.143.928 infrações no passado, 4,5% a menos que em 2017, quando foram flagradas 3.292.402 infrações. Os dados foram repassados por todos os órgãos de trânsito do Estado.
Na divisão por cidades, o destaque fica por conta do número de multas aplicadas em Passo Fundo, incluindo estradas e vias urbanas. O total chegou a 114.274 multas e faz da cidade a lider no ranking do interior, seguida por Caxias do Sul (73.826), São Leopoldo (70.114) e Canoas (62.823).
As principais infrações
Do total de infrações registradas, 45% foram por excesso de velocidade, ou 1.408.580. O alto número de autuações por velocidade se explica já que é uma autuação feita por radares, sem necessitar da presença do agente. Em segundo lugar, ficou o previsto no artigo 162 do Código de Trânsito Brasileiro, dirigir sem CNH ou com alguma irregularidade na habilitação. Foram 277.685 autos por esse motivo em 2018.
Os flagrantes por embriaguez, que tem recebido atenção reforçada dos órgãos de fiscalização nos últimos anos, representaram 0,7% do total de infrações no RS. Foram 21.731 registros em 2018, número também menor que em 2017, quando foram flagrados 21.927 condutores sob o efeito de álcool.Infrações de natureza média representaram 46% do total, seguido das infrações graves (23%) e gravíssimas (23%).
Mais multas, menos mortes no trânsito
Ao avaliar os dados, o secretário de segurança pública e trânsito, João Darci Gonçalves da Rosa, admitiu que o número elevado em relação as demais cidades gaúchas que possuem frota maior, como Caxias do Sul e Canoas. No entanto, pontuou que aqui a fiscalização é maior e mais rigorosa. Afirmou que o alto número de multas traz um reflexo positivo: diminuição de acidentes com feridos e mortos, custos aos hospitais e pessoas mutiladas pelo trânsito. “A sinalização é ótima em Passo Fundo, com programas de educação para o trânsito”, enfatizou.
Em 2018 a cidade registrou oito mortes no trânsito, um índice elevado, mas bem abaixo de outras cidades. Destacou que, quando a cidade diminuiu o limite de velocidade para 50km/h muitas foram as críticas dos motoristas, mas houve imediata redução de mortes no perímetro urbano. “Com os equipamentos há fiscalização 24h em vários lugares da cidade, vigiando e garantindo um trânsito mais seguro”, pontuou.
Comportamento do motorista precisa mudar
Especialista em trânsito, o advogado Gilmar Teixeira Lopes, que já foi secretário de segurança pública, afirma que o comportamento dos motoristas é um fator determinante para esse alto índice de multas em Passo Fundo. “Não tenho a menor dúvida de que não é por causa dos equipamentos, porque são os mesmos instalados há sete ou oito anos. É em decorrência do desrespeito as normas, da pressa e da tendência natural do egoismo. O parar em fila dupla, estacionar em local errado, abusar da velocidade. Não existe um planejamento dos motoristas sobre seu deslocamento, origem e destino, e isso geram um trânsito tumultuado e até perigoso”, disse.
Valores arrecadados em 2018 superam R$ 8,7 milhões
Dados do Portal Transparência da Prefeitura mostram os valores arrecadados com as multas de trânsito em Passo Fundo. No ano de 2018 o total chegou R$ 8 milhões 785 mil. Segundo o secretário João Darci Gonçalves da Rosa, os recursos são empregados na qualificação da sinalização das vias, equipamentos da guarda de trânsito e na educação para o trânsito. “Parte do recurso vai para a empresa que mantêm o sistema eletrônico em funcionamento, porque tratam-se de equipamentos alugados”, explicou.
Nos últimos anos a arrecadação com multas apresenta aumento substancial. A exceção foi em 2016, quando a Prefeitura trocou a empresa responsável pelos equipamentos. Aliás, as maiores arrecadações foram nos dois anos seguintes ao novo sistema, com R$ 6,6 milhões em 2017 e R$ 8,7 milhões em 2018. Nos anos anteriores o arrecadado foi: R$ 3,5 milhões (2014), R$ 3,2 milhões (2015) e R$ 1,9 milhões (2016). Em 2016, após licitação para troca da empresa (saiu a Kopp e entrou a Focalle), o sistema ficou mais de seis meses desligado.