Seca vai alimentar inflação neste semestre, avalia economista
A seca que atinge os países do Cone Sul da América do Sul já é um desastre de bilhões de dólares e será um dos maiores no mundo no ano de 2022. O destaque é da MetSul Meteorologia, que analisa os impactos climáticos no Estado e países vizinhos. As perdas do Valor Bruto da Produção (VBP) das culturas da soja e do milho podem ultrapassar R$ 19,77 bilhões de Reais no Rio Grande do Sul. Hoje mais de 200 municípios estão em emergência por estiagem. Somadas as perdas são o equivalente a 3,5 bilhões de dólares. O milho já é o maior impactado, mas agora vem também a soja. No ano passado o milho encareceu muito o custo de produção animal e inflacionou a alimentação.
Em entrevista na Uirapuru, o economista e Doutor em Economia, professor Julcemar Zilli, da Universidade de Passo Fundo, avaliou que o impacto da seca vai se refletir novamente na inflação. Conforme ele, o frango tem em seu custo 70% do milho. O óleo de soja também será impactado. Os contratos para setembro deste ano já estão firmando preços de R$90 para a saca no milho e até R$180 na soja. Isso, em um primeiro momento, vai beneficiar o produtor que tem este alimento estocado. No entanto, vai encarecer os custos gerais no campo e levar este impacto para os alimentos.
Para o economista o primeiro semestre será ainda marcado pela inflação nos patamares previstos. Com o aumento dos juros a previsão é de que a inflação recue a partir do segundo semestre. Isso, no entanto, depende de outros fatores também, dentre eles o campo político. Zilli lembrou que, quando itens como a alimentação são impactados há o reflexo em conjunto no IGPM. Este índice é um composto de várias áreas econômicas e, dentre outros, gere o reajuste anual dos aluguéis, por exemplo.