Safra e colheita do pinhão devem sofrer reflexos da estiagem, alerta engenheiro agrônomo
Até o ano de 2022, a coleta e comercialização do pinhão no Rio Grande do Sul só era permitida a partir do dia 15 de abril. Entretanto, a partir de 2023 essa movimentação pode ocorrer desde o dia 1o de abril, alinhando a data com o que já é praticado em Santa Catarina e no Paraná. De fato, consumidores já observam pinhão sendo oferecido em Passo Fundo, com o quilo partindo de R$ 11.
Para saber da expectativa do mercado do pinhão em 2023, a reportagem da Rádio Uirapuru conversou com o engenheiro agrônomo da Emater, Ilvandro Barreto de Melo, que fez alguns alertas importantes. O primeiro deles é quanto à qualidade do pinhão, que deve ser menor agora do que em anos anteriores. Isto se deu, conforme Ilvandro, pelo estresse causado nas árvores que convivem há quatro anos com estiagens. Esse estresse, explica Ilvandro, acaba ocasionando comprometimento no desenvolvimento fisiológico na árvore, com uma queda na produtividade, especialmente para o pinhão que é colhido agora, tendo pinhas com menos pinhões e esses menores.
Conforme estudos da Emater, geralmente são comercializadas 4 mil toneladas de pinhão por ano no Paraná, 3 mil toneladas em Santa Catarina e mil toneladas no Rio Grande do Sul. Como reflexo da falta de chuvas, em solo gaúcho serão comercializadas apenas trezentas toneladas, ou seja, apenas 30% do normal. Nesse caso, ocorrerá a importação de pinhão catarinense e paranaense, que também estão produzindo menos. Para o consumidor, a expectativa é de um preço mais alto no quilo do pinhão em comparação aos anos anteriores.
Ilvandro afirma, ainda, que a qualidade não é tão boa em 2023 e a colheita geralmente segue até setembro, mas com concentração entre maio em junho. Em anos de estiagem forte, como é agora, a tendência é que a safra tenha encerramento antecipado, além do fluxo de fauna dos papagaios e macacos-prego que se alimentam do pinhão.