Safra de verão segue em bom ritmo e sustenta projeção positiva para soja e milho tardio
O comportamento do clima nas últimas semanas tem sido determinante para o andamento da safra de verão na região. A alternância entre períodos de chuvas sequenciais e aberturas de sol criou condições favoráveis ao desenvolvimento das lavouras, especialmente da soja e do milho plantado mais tardiamente. Essa avaliação foi apresentada pelo engenheiro agrônomo Cláudio Doro durante participação no programa Cotações e Mercado, da Rádio Uirapuru, exibido no domingo, 11.
Segundo Cláudio Doro, após um período marcado por quebras de safra, o atual cenário climático contribui para maior estabilidade no campo e reduz a insegurança dos produtores. Ele explicou que as condições recentes têm favorecido principalmente o desenvolvimento da soja, além do milho semeado fora da janela inicial, criando expectativa de uma safra de verão mais equilibrada, desde que o clima siga colaborando ao longo do ciclo produtivo.
Ao comentar o milho, o engenheiro agrônomo destacou que a cultura apresentou comportamentos distintos conforme a época de plantio. O milho plantado mais cedo coincidiu com um período de estiagem durante as fases de penduamento e floração, o que resultou em perdas significativas de produtividade. Em algumas áreas, a colheita não deve alcançar 100 sacos por hectare, com redução estimada entre 30% e 40%. Doro informou que há comunicações de perdas encaminhadas ao Banco do Brasil, com vistorias de perícia do Proagro agendadas para lavouras localizadas em Passo Fundo e Sertão.
Por outro lado, o milho plantado mais tardiamente tem sido beneficiado pelas chuvas recentes e apresenta bom potencial produtivo. Conforme o agrônomo, esse desempenho tende a compensar parte das perdas registradas nas áreas de plantio precoce. A expectativa é que a produtividade média regional fique entre 150 e 180 sacos por hectare, considerando o conjunto das lavouras, embora o resultado final ainda dependa das condições climáticas nos próximos meses.
Em relação à soja, Cláudio Doro explicou que o plantio foi concluído e as lavouras se encontram em diferentes estágios de desenvolvimento, desde o crescimento vegetativo até o início da floração nas áreas semeadas mais cedo. Ele afirmou que, até o momento, o desempenho é considerado positivo e que, mantendo-se o clima favorável, a produtividade pode alcançar uma média de 60 sacos por hectare.
O engenheiro agrônomo alertou, no entanto, para a necessidade de atenção redobrada ao monitoramento das lavouras. As atuais condições de alta umidade relativa do ar, associadas a temperaturas acima de 20 graus, aumentam o risco de ocorrência de doenças, especialmente a ferrugem asiática nas áreas de soja mais precoce. Além disso, há registro do surgimento de pragas como lagartas e cascudinhos, o que exige acompanhamento constante por parte dos produtores.
No cenário de mercado, Cláudio Doro ressaltou que a produção mundial de milho cresceu cerca de 194% nos últimos três anos, enquanto o consumo avançou aproximadamente 150%, resultando em elevados estoques globais. Ele citou que os Estados Unidos colheram cerca de 425 milhões de toneladas, fator que contribui para a ampla oferta do grão no mercado internacional.
Como reflexo desse cenário, os preços das commodities agrícolas apresentaram retração. De acordo com Doro, o milho acumula queda de aproximadamente 10% em relação ao valor registrado há um ano. No mesmo período, o trigo registrou perda de 16,5%, enquanto a soja teve recuo de 3,06%. O agrônomo observou que produtores que optaram por segurar os grãos aguardando melhores preços enfrentam dificuldades, já que o excesso de oferta tem pressionado o mercado.