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Geral

Revolução Farroupilha teve papel central na construção da imagem do gaúcho como símbolo da identidade do Rio Grande do Sul, afirma historiador

Públicado em Por RD Uirapuru / Sabrine Paludo
Revolução Farroupilha: combate definiu a identidade do povo gaúcho
Revolução Farroupilha: combate definiu a identidade do povo gaúcho

O Dia do Gaúcho, celebrado em 20 de setembro, é uma das datas mais emblemáticas do calendário cultural do Rio Grande do Sul. A data presta homenagem à Revolução Farroupilha, iniciada em 1835, um movimento que marcou a história do estado e deixou reflexos culturais que permanecem vivos até hoje. Além do simbolismo histórico, o feriado é lembrado com intensa programação em CTGs, desfiles, cavalgadas e pelas expressões da tradição gaúcha, como a música, a dança, a indumentária, o churrasco e o chimarrão.

Em entrevista à Rádio Uirapuru, o historiador e especialista em história gaúcha, Mateus Cavalheiro Del Ré, destacou que a Guerra Farroupilha se estendeu por dez anos e, ao final dos embates, não trouxe grandes transformações estruturais ao Rio Grande do Sul. Segundo ele, os combatentes foram anistiados, especialmente os comandantes, e a revolta teve origem nas insatisfações da elite estancieira do sul do Brasil, que contestava os impostos e o tratamento dado pelo Império aos grandes produtores rurais, sobretudo os envolvidos na produção do charque, essencial para a economia da época.0

Apesar do resultado político limitado, a guerra deixou marcas culturais profundas. Foi a partir desse contexto que se construiu, ao longo do tempo, a figura do gaúcho como elemento central da identidade do Rio Grande do Sul. Del Ré ressaltou que o 20 de setembro e a memória da Revolução Farroupilha passaram por uma releitura com o surgimento do movimento tradicionalista gaúcho, no século XX.

Segundo ele, a imagem do gaúcho foi ressignificada: sem perder os traços de bravura e virilidade, passou a ser associada também ao progresso, à ordem e às demandas políticas do Brasil daquele período. Esse processo de construção identitária foi tão forte que acabou incorporando até mesmo os imigrantes vindos da Itália e da Alemanha, que encontraram no tradicionalismo um elo simbólico com o Rio Grande do Sul e com o Brasil, reforçando o sentimento de pertencimento à cultura local.