Reunião entre Trump e Lula não deve resultar em revogação imediata das tarifas de 50%, diz especialista
Durante seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, na tarde de ontem (23), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pretende se reunir na próxima semana com o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. O encontro deverá ter como principal pauta o tarifaço imposto pelos EUA ao Brasil, anunciado em julho.
Em entrevista à Rádio Uirapuru, a professora da Faculdade de Direito da UPF e especialista em Direito Internacional, Carla Della Bona, avaliou que essa aproximação já era esperada. De acordo com ela, o encontro na ONU foi a primeira vez desde a posse de Trump que Lula se encontrou pessoalmente com o presidente norte-americano, já que, na ocasião da posse, o chefe do Executivo brasileiro não pôde viajar devido a um acidente doméstico.
Segundo Carla, a ausência de Lula na cerimônia gerou certo desconforto diplomático, porque quando um presidente não comparece à posse de outro, especialmente dos Estados Unidos, isso dificulta a criação da proximidade necessária entre os chefes de Estado. A professora afirmou que essa retomada do diálogo, mesmo nos bastidores da ONU, representa uma mudança significativa. A reunião pode abrir caminho para alterações no cenário de tarifas e punições aplicadas ao Brasil pela economia americana.
Apesar disso, a professora destacou que dificilmente haverá, de imediato, a revogação dos 50% de sobretaxa impostos pelos EUA. No entanto, a aproximação pode impedir que novas medidas sejam implementadas. As exportações brasileiras para os Estados Unidos representam cerca de 12% do PIB, fatia significativa que já traz reflexos para a economia nacional.
Carla ressaltou que o Brasil se mostrou um país soberano, ao não ceder às pressões americanas em questões de política interna e do Judiciário, como no caso do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, fator que contribuiu para o aumento das tensões. A abertura de um diálogo direto entre os presidentes pode ajudar a reduzir as animosidades e, no médio prazo, até mesmo levar a uma revisão das tarifas para níveis mais próximos aos anteriores.