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Saúde

Retinoblastoma deve ser diagnosticado precocemente para maior chance de cura, explica médico oftalmologista

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru
Retinoblastoma deve ser diagnosticado precocemente para maior chance de cura
Retinoblastoma deve ser diagnosticado precocemente para maior chance de cura

No final de semana, o jornalista e apresentador Tiago Leifert e sua esposa, a também jornalista Daiana Garbin, revelaram nas redes sociais que sua filha Lua, de apenas um ano, está com um tipo raro de câncer nos olhos. A doença se chama retinoblastoma e surge em crianças ainda pequenas, um dos motivos que torna o diagnóstico precoce muito mais complexo.

Em entrevista na Uirapuru, o médico oftalmologista do corpo clínico do Hospital de Olhos Lions, Dr. Matheus Dallagasperina Pedro, explicou que o retinoblastoma é proveniente das células da retina, que é a parte que nos faz enxergar de fato. De acordo com Dallagasperina, a enfermidade, assim como outras doenças malignas, pode se alastrar, tendo potencial de disseminar-se e até mesmo levar o paciente ao óbito.

O médico oftalmologista também afirma que os cânceres de olhos são pouco conhecidos pela população em geral e podem causar graves danos, apesar de serem raros. Conforme ele, existem, por exemplo, tumores de conjuntiva, que são relativamente comuns e associados ao tabagismo e a exposição solar, fatores de risco presentes na vida de todos. De acordo com Dallagasperina, também existem outros tumores na retina, como o melanoma de coroide, que também tem um diagnóstico bem difícil e é identificado apenas com um acompanhamento oftalmológico bem-feito.

Segundo o médico, o retinoblastoma tem uma particularidade, que é depender muito do diagnóstico precoce, até mais do que outros cânceres e tumores. Essa doença, conforme Dallagasperina, geralmente é associada a fatores genéticos e o melhor caminho para ter o tratamento adequado é através de um diagnóstico precoce feito com o famoso “teste do olhinho”, que é o teste do reflexo vermelho, de execução obrigatória no Brasil em até 72 horas de vida. Em Passo Fundo, por exemplo, o oftalmologista destaca que todos os hospitais realizam este teste em todas as crianças que nascem no município, fazendo assim a detecção de doenças oculares.

Após essa abordagem inicial, deve ser repetido este teste, que é feito pelo pediatra, ao menos três vezes durante os primeiros três anos de vida, a chamada “regra dos três”. O médico lembra que, na identificação de qualquer anormalidade oftalmológica, o paciente será encaminhado para uma avaliação complementar.

Dallagasperina ressalta que, se não for abordado e tratado corretamente, o retinoblastoma pode causar danos severos a saúde da criança, levando a cegueira e até a morte, por ser uma doença maligna e que tem potencial de se alastrar a outros órgãos do organismo. Também explica que, por ser um tumor germinativo que acontece em uma fase muito mais precoce, este é um diagnóstico quase que exclusivo das crianças.

Por isso, o oftalmologista destaca que é importante sempre realizar avaliações oculares precoces nas crianças, antes mesmo do primeiro ano de vida, isso porque quanto mais tarde for feito o diagnóstico, menores são as chances de cura. Por outro lado, ele também afirma que, o quanto antes descobrir a doença, maiores são as chances de obter cura ou diminuir os danos que o retinoblastoma pode causar.