República do Brasil nasceu a partir de um golpe, explica historiador
Comemorado anualmente em 15 de novembro, o Dia da Proclamação da República do Brasil é um feriado nacional instituído em abril de 1949. O evento, ocorrido no ano de 1889, aconteceu no Rio de Janeiro, então capital do país, por um grupo de militares liderados pelo Marechal Deodoro da Fonseca, que deu um golpe de estado no Império. A partir disso, ele instituiu uma república provisória e, posteriormente, consagrou-se como primeiro presidente do Brasil.
Falando sobre a data na Uirapuru, o doutor em história da Universidade de Passo Fundo (UPF), Dr. Adelar Heinsfeld, contou que o Brasil era a única monarquia da América na época. Quando os demais países declararam independência, todos optaram pela forma republicana de governo. Já aqui, pela presença da família real portuguesa, a elite brasileira trabalhou em torno do príncipe regente Dom Pedro e a independência se fez sob forma monárquica. Assim, foram 67 anos de monarquia.
No entanto, Heinsfeld conta que no final daquele século haviam grupos descontentes com a monarquia. Os dois principais eram cafeicultores e exército. Os cafeicultores paulistas alegavam que a monarquia era muito centralizada e concentrava recursos no Rio de Janeiro, enquanto eles pagavam muitos impostos e recebiam pouco de volta. Já o segundo grupo, principalmente após a Guerra do Paraguai, sentia-se desprestigiado politicamente.
Com a junção dessas duas forças, foi articulada a derrubada da monarquia, que nasceu através de um golpe militar. De acordo com o historiador, a monarquia brasileira teve certa dificuldade de adaptar-se aos novos tempos. Porém, com a proclamação da república, registros mostram que a corrupção foi potencializada.
Heinsfeld conta que, quando foi fundado o partido Republicano, acreditava-se que seria possível implantar a república através de um processo democrático. No entanto, os resultados das primeiras eleições que o partido participou foram pífios. Eles elegeram um número muito pequeno de deputados e, a partir disso, a ideia de mudar a forma de governo por um caminho legal caiu por terra e o golpe foi a única alternativa.
Desde então, o historiador afirma que essa cultura de tentativa de tomada a força de um poder mantém-se viva na sociedade por parte de alguns, que veem em golpes uma espécie de solução para os problemas do Brasil. Conforme o historiador, essa é uma cultura de política autoritária que segue impregnada até os dias atuais.