Renan afirma que delação de Machado não influi na governabilidade de Temer
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL),em entrevista coletiva nesta quinta-feira (16), criticou a delação do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, chamando-a de criminosa. Além disso, Renan partiu em defesa do presidente em exercício Michel Temer, que, assim como Renan, foi citado por Machado.
O delator disse que repassou propina a mais de 20 políticos, entre eles integrantes da cúpula do PMDB, como Renan.O delator também disse que Temer assumiu a presidência do PMDB para controlar a destinação de recursos doados pela JBS a políticos do partido para campanhas eleitorais.
“Essa citação do Sérgio Machado com relação ao presidente Michel Temer, nós que conhecíamos as relações de todos, é uma coisa mentirosa, é uma coisa criminosa, totalmente criminosa. Ele não tinha sequer essas relações diretas com o presidente Michel Temer, para citar e constranger o presidente Michel Temer. Eu repilo e tenho certeza que o Brasil também”, disse Renan.
O presidente do Senado disse ainda que as citações de Machado a Michel Temer não comprometem a governabilidade do presidente em exercício.
“A governabilidade não [será prejudicada]. Há uma consciência no Congresso Nacional e no Senado, no sentido de que temos que criar condições de viabilizar esse governo, porque não há nenhuma coisa posta contra o Michel Temer, o que está posto para o Brasil é o Michel Temer. É em torno desse governo que nós temos que criar uma agenda, estabilizar a economia”, completou Renan.
Ao falar da delação de Sérgio Machado, Renan Calheiros criticou a lei de delação premiada. Segundo o presidente do Senado, o delator, no intuito de se livrar da prisão, conta “o que quiser”.
“[A delação de Machado] é uma narrativa sem prova para botar uma tornozeleira, ficar preso em casa, e limpar mais de um R$ 1 bilhão roubado do povo brasileiro. Isso é uma coisa que precisa ser alterada na lei da delação”, criticou Renan.
“Eu, como presidente do Senado, comandei a aprovação da lei da delação é evidente que eu posso colaborar para o aperfeiçoamento dessa lei. É difícil se obter de uma pessoa que está presa, desesperada, com a pessoa família passando fome, uma delação, porque essa pessoa vai contar uma narrativa, já que não lhe exigem prova, e vai dizer absolutamente o que quiser”, argumentou Renan.
O presidente do Senado também voltou a criticar o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Para Renan, o procurador extrapolou “os limites do ridículo” ao pedir as prisões dele e do senador Romero Jucá (PMDB-RR). O ministro Teori Zavascki negou os pedidos de prisão feitos por Janot.
O presidente do Senado contou ainda que recebeu nesta semana mais um pedido de impeachment do procurador-geral da República,Rodrigo Janot. O pedido, elaborado por duas advogadas, diz que Janot estaria dando tratamento diferenciado a alguns alvos da operação Lava Jato e, por isso, deveria ser declarado impedido.
Segundo a Constituição, cabe ao Senado analisar e abrir procedimento de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal e de procuradores da República.