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Economia

Região norte do RS lidera retomada industrial pós-enchentes, com eletroeletrônicos e construção civil em alta

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

A indústria do Rio Grande do Sul registrou em maio de 2025 o maior volume mensal de vendas do ano: R$ 48,1 bilhões. Os dados são do Boletim Setorial da Secretaria da Fazenda (Sefaz) e mostram um crescimento de 3,3% em relação ao mês anterior. No trimestre encerrado em maio, o avanço foi de 5,5% frente ao mesmo período de 2024, enquanto no acumulado dos últimos 12 meses a alta chegou a 4,8%.

A recuperação da atividade industrial tem contado com protagonismo da região Norte do estado. Em entrevista à Rádio Uirapuru, o vice-presidente da Associação Comercial, Industrial, de Serviços e Agronegócio (ACISA) de Passo Fundo, Rodrigo Scortegagna, afirmou que os bons resultados refletem, em parte, o esforço de reconstrução após as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul no primeiro semestre.

Segundo Scortegagna, a demanda por materiais de construção e equipamentos tem impulsionado setores estratégicos para Passo Fundo e municípios vizinhos. Ele avaliou que a região é muito representativa. O setor de eletroeletrônicos puxou o crescimento, ao mesmo tempo em que, no Brasil, a indústria nacional teve retração de 0,5% em maio, segundo o IBGE. No estado, houve crescimento, com absorção da demanda interna, especialmente pela necessidade de reconstrução.

O crescimento nas áreas de madeira, cimento e vidro, que teve alta de 7,7% e movimentou R$ 10 bilhões, está diretamente ligado à reconstrução de infraestruturas danificadas. O setor da construção civil está aquecido, inclusive em Passo Fundo, e isso ajuda a movimentar outros segmentos industriais, destacou o vice-presidente da ACISA.

Entre os setores industriais com maior crescimento no período de 12 meses, o destaque foi para os eletroeletrônicos, que tiveram alta de 16,4% e movimentaram R$ 15,1 bilhões. Já o setor metalomecânico, tradicionalmente forte em Passo Fundo e região, teve avanço de 0,3% e lidera em volume financeiro, com R$ 154 bilhões.

Apesar do desempenho positivo, Scortegagna alertou para os riscos representados pelas novas tarifas impostas pelos Estados Unidos. Como metade das exportações brasileiras de produtos de média e alta tecnologia tem como destino o mercado norte-americano, o setor industrial pode sofrer caso as barreiras comerciais se intensifiquem.

Mesmo diante desse cenário, ele acredita que o mercado interno tem sustentado a produção industrial. O consumo doméstico, especialmente em setores ligados à reconstrução, tem segurado o desempenho e pode seguir sendo um pilar nos próximos meses, afirmou.

O boletim da Sefaz também apontou crescimento nos setores de varejo e atacado, que têm forte presença em Passo Fundo como polo regional de distribuição. O varejo gaúcho movimentou R$ 21,3 bilhões em maio e teve crescimento de 7% no acumulado de 12 meses. Já o atacado registrou R$ 18,4 bilhões e alta anual de 6%.

Com a economia se reorganizando, a ACISA aposta no fortalecimento do ecossistema local de negócios. Em outubro, Passo Fundo sediará a Feitec, Feira de Inovação, Tecnologia e Empreendedorismo, considerada uma vitrine para novos projetos e conexões empresariais. A entidade também prepara novos encontros do RAP da ACISA, programa de aproximação entre empreendedores locais.

Rodrigo Scortegagna avalia que o segundo semestre exigirá atenção e equilíbrio. É um momento de observar oportunidades e manter sustentabilidade nos negócios. A região está se movimentando, mas o cenário global ainda inspira cautela, concluiu.