Região de Passo Fundo precisa estruturar serviços que apoiem os idosos, destaca pesquisadora
Mas isso mostra uma tendência de envelhecimento da população? É um problema urgente? Como lidar com essa situação? Sobre o assunto, a Uirapuru conversou com a professora Marilene Portela, que integra o corpo de pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Envelhecimento Humano da Universidade de Passo Fundo (UPF).
Marilene Portela destacou que o aumento da população mais velha já é uma realidade, mas estamos distantes de saber como lidar. A professora disse que o Rio Grande do Sul é um estado “envelhecido”, a exemplo de muitos outros, como o Rio de Janeiro. Explicou que, em uma comunidade considerada mais velha, você conta a população geral com percentual de 14% a mais de pessoas com 70 anos.
Ela ainda alertou que a sociedade não está preparada para encarar uma comunidade envelhecida. O chamado “cuidado de longa duração”, feito na maioria das vezes por famílias, não é o ideal, mas está cada vez mais comum. De acordo com Marilene, precisamos de políticas públicas efetivas para resolver esse problema, discutindo diversas questões, dentre elas a de melhorar a qualidade de uma família cuidadora, considerada hoje como “invisível”.
Em países que compõe a União Europeia, já existe uma forma diferente de pensar, que trata a questão do envelhecimento como um fenômeno que desafia a sociedade e precisa de mais cuidados. A professora ressalta que, para isso acontecer no Brasil, as equipes que trabalham nas unidades de saúde precisam ser preparadas, completas e que possam atender toda a população nos diferentes segmentos, como bairros e centro. Não podemos discutir o envelhecimento enquanto não tivermos condições necessárias de prover recursos.
Segundo a pesquisadora, estamos com o alerta ligado na região de Passo Fundo e este é o momento de estruturar um serviço que possa apoiar idosos, para que a sociedade não ache normal apenas a família cuidar dos mais velhos, tirando a responsabilidade do Estado. Ainda de acordo com a Marilene, a situação tende a aumentar daqui a 20 anos.