Queda na taxa de juros depende de manutenção dos índices atuais de inflação, avisa economista
Na segunda-feira (27), uma reunião do Comitê de Política Monetária, o Copom, avaliou ser possível em breve reduzir a taxa de juros. Atualmente com índice de 13,75%, essa queda depende muito da inflação, que precisa ser mantida dentro dos padrões atuais.
De acordo com a professora e economista Cleide Moretto, efetivamente o Brasil teve uma prévia do IPCA 15 em uma queda. Ou seja, houve uma redução do nível geral de preços e toda a meta de inflação no ano de 2023 está sendo mantida. Essa redução vem dos preços menores dos alimentos e combustíveis, sendo que os combustível são insumos importantes na cadeia econômica, balizando o preço de produtos e bens em geral. Também a ação do governo para o aumento do consumo de automóveis refletiu no IPCA 15 de junho.
Cleide Moretto explicou que a taxa de juros foi colocada em níveis altos como tentativa de enxugamento da quantidade de moeda que circula na economia. Mas como a política de preços está mantida, dentro dos padrões de inflação, é possível a partir de agora analisar a queda da taxa de juros. A economista observa que a taxa de juros é importante porque quanto mais baixa, permite a retomada do investimento produtivo. Com isso, contrata-se pessoas, essas pessoas com emprego gastam, o que aquece a economia como um todo.
Além disso, a taxa de juros acompanha a inflação, como se fosse o remédio que o governo aplica para fazer com que as pessoas apliquem o dinheiro no mercado financeiro, tirando esse dinheiro de circulação, reduzindo o consumo. Só que por outro lado, o país tem uma das mais altas taxas de juros do mundo, o que só é bom para o setor financeiro, pois é a remuneração do dinheiro, mas é muito ruim para o setor produtivo.
Sobre a provável queda na taxa básica de juros dos atuais 13,75%, Cleide Moretto avalia que não existe segurança ainda, por parte do Copom, de que essa tendência de queda no preços já esteja consolidada. O maior medo é a volta ao período de alta na inflação, lembrando que já chegou aos 80% ao mês décadas atrás. Esse cenário de hiperinflação é muito ruim para a economia como um todo e é por isso que quem faz a política monetária no Brasil, o faz com cautela, observa Cleide Moretto.