Quebras na safra de milho e soja são irreversíveis em algumas regiões do Rio Grande do Sul
A safra gaúcha de milho sequeiro alcançou uma perda de 59,2% ate o momento, enquanto no milho irrigado é de 13,5% e na soja a perspectiva atual é de 24% mesmo ainda com a semeadura em andamento que já chegou a 93%. Os dados são da Rede Técnica Cooperativa (RTC) e divulgados pela Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS).
De acordo com o presidente da FecoAgro/RS, Paulo Pires, a quebra de safra vai pesar na economia do Estado como um todo. O agricultor é o primeiro a sentir o impacto, no entanto, já se observou em outros anos que quando o agro vai mal, toda a economia fica estagnada. Pires lembra que nos últimos dois anos, foi o agronegócio que salvou a economia gaúcha, com safras satisfatórias.
O presidente da FecoAgro lembra que a safra de milho é importantíssima para a indústria gaúcha, principalmente para a indústria de proteína animal. O custo de produção de proteína animal já vem elevado e deve piorar com a quebra da safra do milho. Pires ressalta que essa quebra de quase 60% no milho e 24% na soja é praticamente irreversível. Mesmo que chova de forma regular a partir de agora, o que foi perdido não tem mais como recuperar.
De acordo com o presidente Paulo Pires, todas as regiões do Estado registram problemas com a estiagem. Na região de Passo Fundo, os locais mais afetados são as cidades de Soledade, Espumoso e Tapera. Em Espumoso, por exemplo, cerca de 30% da área de soja não foi plantada ainda.
Conforme Pires, o produtor terá um ano de menos renda e precisará apertar o cinto para passar por esse momento complicado. Ele revela que o milho está praticamente perdido e por isso, entidades ligadas ao agro buscam alternativas junto ao Governo do Estado para amenizar as perdas dos agricultores. Uma reunião foi realizada com a secretária de Agricultura, Silvana Covatti, visando encontrar uma saída para auxiliar, principalmente, os pequenos agricultores do estado.