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Polícia

Quadrilha que aplicou golpes do cartão clonado em Passo Fundo é desmantelada pela Polícia Civil

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru

A Polícia Civil deflagrou na manhã desta terça-feira (8), a Operação Alcateia, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa estruturada para o cometimento reiterado de crimes de estelionato, na modalidade Golpe do Cartão Clonado ou Golpe do Motoboy. A quadrilha fez vítimas nas cidades de Santa Maria, Cachoeira do Sul, Rio Pardo, Passo Fundo, Pelotas, Rio Grande, Erechim, Caxias do Sul e Soledade.

Ao todo, estão sendo cumpridos 20 mandados de prisão preventiva e 56 mandados de busca e apreensão no Rio Grande do Sul e em São Paulo, onde a quadrilha tinha base. Até o momento 14 pessoas foram presas, sendo 12 em Santa Maria e 2 em Pelotas.

Segundo a investigação, que vem sendo realizada há seis meses, a atuação da quadrilha ocorreu em diversos estados, dentre os quais o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Piauí, São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Apenas na cidade de Santa Maria, no período 1º de janeiro até 1º de dezembro de 2020, foram praticados 67 golpes, com prejuízo às vítimas totalizando em mais de R$ 550 mil reais.

A forma de agir

Tudo começa com a realização de uma ligação para a vítima, geralmente pessoa idosa, onde o interlocutor identifica-se falsamente como funcionário de uma central de monitoramento de cartões, e solicita confirmação de supostas compras, via de regra, realizadas em outros Estados. A vítima relata que não foram autorizadas as “supostas” compras e nem autorizadas. Em seguida, o criminoso orienta a vítima a ligar para o seu banco, para o número existente no verso do cartão bancário.

Então, a vítima, acreditando que foi alvo de uma “clonagem” de cartão, liga para o número verdadeiro da central bancária, mas os criminosos desviam a sua ligação por meio de uma central telefônica que tem instalado o sistema “URA” (equipamento para call center). A partir daí, a vítima passa a falar com outro criminoso, que se identifica como funcionário de uma central de segurança do banco, confirma que o cartão foi clonado e que estão sendo feitas compras. Então, esse suposto funcionário diz que será necessário realizar um procedimento de bloqueio do cartão e também uma “investigação de clonagem”.

Dessa forma, a vítima é orientada a inserir alguns dados pelo teclado do telefone, dentre os dados solicitados está a senha do cartão, que é inserida quando uma gravação eletrônica preparada pelos criminosos, a solicita. A todo o momento o estelionatário está do outro lado da linha dizendo que a ligação é segura e está sendo gravada. Também, os golpistas orientam a cortar ao meio o seu cartão bancário, sem danificar o chip, escrever uma carta contestando as supostas compras e autorizando uma “investigação junto ao banco e polícia civil ou federal”.

Em seguida, é solicitado que a vítima entregue o cartão cortado e a carta, dentro de um envelope lacrado (com cola e grampos), em uma agência de outro estado, naquele mesmo dia. Por óbvio, a vítima diz que não tem condições de fazer isso. Então, o criminoso fala que irá mandar um representante até a casa para recolher o envelope com o cartão e a carta. Dessa forma, outro criminoso vai até a casa e apanha o cartão. Os criminosos comunicam-se o tempo todo e a senha é repassada para o indivíduo que está em posse do cartão. Assim, são feitos saques e compras via máquinas de cartão débito/crédito, que estão em poder do indivíduo que apanhou o cartão. Nesse mesmo período o criminoso que está falando com a vítima solicita que o seu aparelho celular seja desligado por algumas horas, para que sejam feitas atualizações de segurança. Isso faz com que a pessoa não receba alertas enviados pelo banco a respeito dos saques, compras e transferências efetuados pelos golpistas.

De acordo com a Polícia Civil, a organização criminosa possui bases em São Paulo e apenas os indivíduos que recolhem os cartões deslocam-se para as cidades onde os golpes são aplicados. Esses são os chamados “motocas” ou “retiras” e a todo o momento há comunicação entre eles e sua “base”, em São Paulo. O local de onde partem as ligações já foi identificado e será realizado mandado de busca e apreensão. Ainda, há fortes indícios de que essa organização criminosa possui ligações com a facção criminosa PCC. Também, os criminosos utilizam-se das restrições impostas pela pandemia de Covid-19 para fazer com que as vítimas não se desloquem até a agência bancária.

Os presos e mais sobre o esquema

Dentre os alvos que possuem mandados de prisão há indivíduos com atuação no recolhimento dos cartões “motocas”, as “telefonistas”, responsáveis pelo trabalho de instalação da central com o sistema “URA” e também pelo local de onde são feitas as ligações, os responsáveis pela “fiscalização” das transferências bancárias, as pessoas que emprestam suas contas para os depósitos (“laranjas”), e os que fornecem os dados das vítimas. A investigação apurou que os dados das vítimas são vendidos para os criminosos por uma empresapelo valor de 62 mil.

Dentre os dados há as seguintes informações: nome completo, data de nascimento, endereço completo, telefones fixo e celular, email, escolaridade, profissão, aposentadoria (sim ou não), se a pessoa possui banda larga, renda, banco utilizado e agência bancária. Essa é a forma pela qual os criminosos conseguem dar credibilidade a sua conduta.

Devido ao fato de os estelionatários iniciarem o contato com a vítima com a desculpa de que estão tentando ajudar, a sua atuação foi comparada à expressão “lobo em pele de cordeiro”, motivo pelo qual a operação foi batizada de “Operação Alcateia”.

A ação contou com apoio da Polícia Civil de São Paulo, sendo 18 policiais de Santa Maria, seis de Pelotas, 140 policiais civis de São Paulo e 68 viaturas. Maiores informações podem ser obtidas com a delegada Débora Dias, titular DPICOI (Delegacia de Proteção ao Idoso e Combate à Intolerância) de Santa Maria.