Psiquiatra diz que negacionistas procuram um culpado pela pandemia e ignoram todo o resto
Na última terça-feira (05), o Brasil teve 600 mortes em apenas 24h devido ao coronavírus, conforme dados oficiais do Ministério da Saúde. O Rio Grande do Sul tem mais de 2 mil casos confirmados, com 83 mortes, e, somente em Passo Fundo, são 17 mortes até o momento. Todos estes dados são atestados por médicos e passam por secretarias estaduais de saúde e municipais. O mundo está passando pelo mesmo ou até pior, no entanto, é grande o número de pessoas, esclarecidas ou sem grau de instrução algum, que taxam estes dados como mentira. Por que existe esse negacionismo? Por que as pessoas estão negando e duvidando de um fato mundial, achando que é mentira? Tem a ver com medo? Necessidade de proteger seu lado político ou até mesmo um presidente? O que está por trás deste comportamento?
Falando na Uirapuru, o psiquiatra Carlos Hecktheuer esclareceu que o negacionismo é uma defesa que as pessoas usam quando se sentem angustiadas e ameaçadas. Essa negação parece ser triunfal, o que o psiquiatra chama de “negação maníaca”. Hecktheuer explicou que as pessoas pensam que triunfam quando desprezam um acontecimento, pois o medo e o pânico que as envolvem, fazem com que elas desprezem os fatos e não aceitem a morte pela doença, no caso, coronavírus.
Hecktheuer também relatou que uma das características do negacionista é procurar um culpado, que, neste caso, pode ser a imprensa ou até mesmo o presidente da República. De acordo com o psiquiatra, as pessoas preferem negar tudo o que deixou de ser feito, negar a deficiência dos serviços de saúde e a precariedade dos hospitais, e atribuir a culpa ao exterior, ao fato de alguém ter criado o vírus em um laboratório e espalhado pelo mundo. Ele também ressaltou que as pandemias, epidemias e surtos gripais sempre existiram, pois são fenômenos da natureza.
Ouça a entrevista do psiquiatra Carlos Hecktheuer: