Protesto nacional chega a Passo Fundo e motoristas pressionam contra a PL 152
A mobilização de motoristas de aplicativos em todo o país teve reflexo em Passo Fundo nesta terça-feira, com paralisação e protesto organizado pela categoria. O ato ocorre em meio à possibilidade de votação da PL 152 na Câmara dos Deputados, proposta que trata da regulamentação do trabalho por plataformas digitais.
A reportagem da Rádio Uirapuru acompanhou a concentração na Arena Be8, no Ginásio Teixeirinha, onde motoristas se reuniram para discutir os impactos do projeto. Um dos organizadores do movimento, Alexandre Maias da Silva, afirmou que a proposta, que inicialmente apresentava avanços para a categoria, sofreu alterações recentes que passaram a prejudicar os trabalhadores.
Segundo Alexandre Maias da Silva, entre as mudanças está a retirada de um teto fixo para a cobrança das plataformas, substituído por uma média que pode elevar os descontos nas corridas. Ele também relatou que o texto passou a prever novas cobranças, incluindo percentual sobre o faturamento dos motoristas, além de encargos direcionados às plataformas que, conforme explicou, tendem a ser repassados aos usuários e aos próprios trabalhadores.
O organizador destacou ainda que a proposta não garante responsabilidade das empresas em relação aos motoristas. De acordo com Alexandre Maias da Silva, despesas como combustível, manutenção, IPVA e seguro seguem sob responsabilidade dos trabalhadores, enquanto a remuneração pode ser reduzida. Ele defendeu que o percentual cobrado pelas plataformas tenha limite máximo de 25%, como forma de garantir maior equilíbrio financeiro à categoria.
Outro organizador do movimento, Carlos Alberto Pizzato, afirmou que a categoria é contrária à proposta e classificou a PL 152 como prejudicial aos motoristas em nível nacional. Segundo ele, a paralisação ocorre de forma unificada em diversas cidades do país para demonstrar insatisfação com o texto em discussão no Congresso.
De acordo com Carlos Alberto Pizzato, entre os principais pontos de preocupação estão o aumento de taxas, possíveis mudanças na forma de contribuição ao INSS e restrições à liberdade de trabalho. Ele destacou que os motoristas defendem a manutenção do modelo atual, com atuação como autônomos, e não a vinculação a regras semelhantes às da CLT.
Durante a mobilização, os participantes organizaram uma carreata com saída da Arena Be8, no Ginásio Teixeirinha, com trajeto por diferentes pontos da cidade e parada prevista em frente à Prefeitura. Conforme Alexandre Maias da Silva, o objetivo é ampliar o diálogo com a população e mobilizar mais motoristas, além de pressionar por mudanças no projeto em discussão no Congresso Nacional.