Promotor explica: pedido para retirar de Passo Fundo julgamento de pai que matou homem que assaltou filha foi necessário para garantir justiça
A imprensa de Passo Fundo foi convidada para uma coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira (01) pelo promotor de justiça, Diego Mendes de Lima, responsável pela acusação no caso do pai que matou o homem que assaltou sua filha, há 5 anos, em Passo Fundo.
O júri, que deveria ter ocorrido em fevereiro, foi adiado após pedido de desaforamento pelo promotor, que é a petição para troca de cidade, uma vez que seria júri popular.
Durante a coletiva de imprensa, o promotor explicou que isso foi necessário diante do risco de o júri popular já estar com uma opinião formada, diante das notícias vinculadas na imprensa desde o primeiro momento dos fatos.
Explicou que o ideal é quando o corpo de jurados toma conhecimento do processo de forma imparcial, para decidir durante o julgamento se o réu é culpado ou inocente. Apontou que a versão dada à imprensa pelo réu e advogado, na época, não é a apontada ao término do inquérito.
A declaração, segundo o promotor, de que a mulher teria recebido do assaltante o indicativo de estupro, não procede, pois no hospital, antes de ela conversar com o pai, em nenhum momento citou isso, apenas falou de um assalto que foi frustrado diante de sua reação em capotar o carro.
Também apontou que o pai não deveria ir até a delegacia, pois o assaltante já estava preso e a filha hospitalizada. Para o promotor, ele claramente foi até a delegacia unicamente para matar o jovem. Revelou que cinco policiais estavam no local e todos foram ouvidos, onde nenhum apontou qualquer tipo de diálogo entre o réu e o assaltante morto. Apontaram que ele chegou calado e logo desferiu o golpe fatal no homem já algemado.
O promotor explicou que normalmente não se pronuncia em versões de fatos dadas à mídia, mas este, por ter tomado grande repercussão, precisou de uma resposta. A decisão final do pedido de desaforamento será dada pelo juiz responsável.