“Produtores não querem perdão, mas condições justas”, diz Nei Manica sobre securitização
A securitização de dívidas se tornou um dos principais temas em debate no Rio Grande do Sul em 2025, especialmente no setor agropecuário. Diante dos prejuízos causados por sucessivas estiagens e enchentes, milhares de produtores rurais acumulam dívidas e pressionam por soluções emergenciais.
Nesse contexto, avança no Congresso o Projeto de Lei 320/2025, de autoria do senador Luiz Carlos Heinze (PP-RS), que propõe transformar essas dívidas em títulos do Tesouro Nacional, oferecendo prazos estendidos, período de carência e juros reduzidos. A proposta surge como alternativa para dar fôlego financeiro ao campo e evitar o colapso de diversas cadeias produtivas no estado.
Nas últimas semanas, produtores rurais de todo o Rio Grande do Sul têm se mobilizado em rodovias, realizando protestos e cobrando uma resposta imediata do governo federal sobre o projeto em tramitação. Durante a abertura do Programa de Treinamento “Sementes de Cidadania 2025”, realizado na Apae de Passo Fundo, o presidente da Cotrijal, Nei César Manica, falou à Rádio Uirapuru sobre a situação. Segundo ele, os produtores vêm enfrentando grandes prejuízos nos últimos anos, com perdas significativas em pelo menos cinco safras consecutivas.
Manica explicou que o projeto de securitização tem como objetivo oferecer uma oportunidade para que os produtores regularizem suas dívidas, unificando os débitos em um plano de pagamento com prazo entre 20 e 25 anos, com juros reduzidos. Ele ressaltou que os produtores não pedem perdão das dívidas, mas sim condições mais justas para continuar produzindo, como já ocorreu nos anos 1990. “Se o agronegócio vai mal, respinga em toda a sociedade”, destacou.
Os próximos dias devem ser marcados por novas manifestações de produtores em estradas de todo o estado.
Manica participa de evento na Apae de Passo Fundo
Manica participou de um evento na Apae de Passo Fundo onde ocorreu a abertura oficial do programa “Sementes de Cidadania 2025”, promovido pela Cotrijal em parceria com a Apae. O projeto realiza a qualificação e contratação de participantes da entidade para atuarem no Viveiro da Cidadania, responsável pela produção de mudas de árvores nativas. O presidente da Apae de Passo Fundo, Marlon Batista Moraes, destacou que atualmente 53 colaboradores com deficiência intelectual e múltipla trabalham diretamente na produção de mudas.