Produtores devem agilizar aplicação de defensivos após longo período de chuvas nas lavouras da região
Após um mês de dezembro com áreas que registraram até 300 milímetros de chuva acumulada em Passo Fundo, além de um Natal e Ano Novo chuvosos, as lavouras da região vivem um bom momento hídrico. A frequência das precipitações afasta a preocupação com a falta de água, mas, na agricultura, há diversas outras variáveis até a colheita, o que exige atenção redobrada dos produtores.
O programa Cotações e Mercado, exibido no último domingo na Rádio Uirapuru, abordou as necessidades das lavouras de soja após o período prolongado de chuvas. Com a previsão de retorno das precipitações a partir de quinta-feira, os produtores precisam acelerar a recuperação do trabalho de controle de plantas daninhas, que acabou sendo atrasado pelos dias chuvosos.
De acordo com o engenheiro agrônomo Luciano Remor, a previsão indica possibilidade de chuva praticamente todos os dias, porém com volumes moderados, que não devem ultrapassar cerca de 20 milímetros diários. Segundo ele, o principal desafio é a falta de intervalos secos suficientes para que o solo perca umidade e permita a entrada de máquinas nas lavouras.
Remor explica que o ideal neste momento são janelas de um a três dias sem chuva, condição que deve ocorrer nesta semana, possibilitando a aplicação correta de defensivos agrícolas. Muitas lavouras da região estão com aplicações de herbicidas, fungicidas e inseticidas atrasadas justamente pela sequência de dias chuvosos, especialmente em áreas de Passo Fundo, enquanto regiões próximas registraram volumes um pouco menores de precipitação.
Conforme o engenheiro agrônomo, este é o momento adequado para intensificar o controle de plantas daninhas, já que a agricultura passa por uma fase de mudanças, com o aumento de espécies resistentes. Entre as principais estão o caruru, o capim-pé-de-galinha, o leiteiro e a buva, que podem comprometer de forma significativa o rendimento da soja se não forem controladas a tempo.
Além das plantas daninhas, Remor chama atenção para o avanço da ferrugem asiática da soja. Atualmente, já foram confirmados cinco focos da doença no Rio Grande do Sul, e o período crítico costuma iniciar na segunda quinzena de janeiro. Por isso, as lavouras precisam estar protegidas com fungicidas preventivos.