Procuradores da Lava-Jato ameaçam renunciar se lei que punirá abusos entrar em vigor
A Câmara dos Deputados aprovou na madrugada da última quarta-feira (30), em primeira votação, o pacote de medidas anticorrupção sugerido pelo Ministério Público (MPF) por meio de um projeto de iniciativa popular. A principal das emendas, aprovada pelo plenário prevê a punição de juízes e membros do Ministério Público por conta de sua atuação em processos.
Os procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato se manifestaram ainda ontem (30) contra o que chamam de ataque feito pela Câmara contra as investigações e a independência dos promotores, procuradores e juízes.
O procurador do Ministério Público Federal (MPF) Carlos dos Santos Lima afirmou que a força-tarefa ameaça abandonar os trabalhos se a “proposta de intimidação de juízes e procuradores” for sancionada.
Destacou que é inadmissível que juízes sejam ameaçados, corram riscos de terem punições, inclusive com risco aos seus bens, por aplicarem a justiça a quem pratica ações ilícitas.
O procurador ainda falou que não são funcionários públicos, possuem uma carreia protegida por lei.Lima afirmou que todos devem conhecer as mudanças, que são claras para que os políticos se protejam.
Conforme ele, o motivo é que os juízes estão investigando e barrando que mais coisas não apareçam na justiça.
O procurador Deltan Dallagnol, que coordena a força-tarefa da Lava Jato, afirmou que a votação do projeto na Câmara foi o “golpe mais forte efetuado contra a Lava Jato concretamente em toda a sua história”.Deltan Dallagnol disse que, se for aprovada, “a proposta será o começo do fim da Lava Jato.