Procura por tratamento contra as drogas aumenta pós-pandemia: álcool é o maior responsável
A drogadição é um mal que atinge cada vez mais as famílias. Neste contexto, o amparo por clínicas de recuperação é fundamental. A Clínica Novo Começo, de Encantado, no Rio Grande do Sul, é referência em atendimento para pessoas dependentes.
Em entrevista na Uirapuru, a bióloga, consultora em dependência química e mestranda em neurociências, Paula Cristina Garibotti, que também é idealizadora e coordenadora da Clínica Terapêutica Novo Começo, contou que a clínica surgiu de uma história de superação familiar. De acordo com Paula, seu filho mais velho passou por esse problema e, a partir de uma decisão de se recuperar da dependência química, um espaço que era da família foi criado e estruturado para se transformar em uma clínica.
Hoje, passados oito anos, a casa de saúde atende diversos pacientes e conta com um setor específico de atendimento das famílias. Conforme Paula, os colaboradores da clínica compreendem que dependência química é a doença de um paciente, mas que atinge todos que estão a sua volta. Por isso, dentro do tratamento da Clínica Novo Começo, é oferecido um suporte específico, com atendimento semanal e programas para as famílias, onde uma equipe técnica orienta sobre a doença e como manter-se durante a recuperação ou após a alta do paciente.
A coordenadora ressalta que a casa de saúde prima pela qualidade do tratamento, sempre respeitando cada pessoa. Como a clínica surgiu de uma história particular, o princípio básico da Novo Começo é o tratamento humanizado, como se o paciente fosse um próprio familiar.
Paula revela que durante os oito anos de atuação da clínica, aumentou muito a procura pelo tratamento contra as drogas. Pós-pandemia, principalmente, ela revela que aconteceram muitos casos, em sua maioria relacionados ao álcool. De acordo com a coordenadora, isso traz preocupação, porque é preciso dar conta de uma grande demanda com poucos funcionários e todos precisam se especializar para oferecer o tratamento adequado que cada paciente necessita.
Como o álcool é uma droga lícita e socialmente aceita, estando em todos os lugares disponível, Paula afirma que fica ainda mais difícil enfrentá-la. Ela lembra que álcool é uma droga perigosa, sendo a que mais mata no Brasil atualmente.
A coordenadora lembra que muitos pais não tem conhecimento de como lidar com situações que envolvem drogas, principalmente as lícitas. Por isso, Paula declara que esse é um assunto que precisa ser debatido. Ela também destaca que os responsáveis devem sempre estar atentos a comportamentos estranhos dos filhos, com quem eles estão andando ou o que acessam na internet, porque o vício surge de um conjunto de comportamentos e atitudes que devem ser levados em conta e avaliados para que as famílias não percam seus filhos para as drogas.