Processo de impeachment: Dilma reconhece tristeza por injustiça e golpe
Em mais uma entrevista à imprensa estrangeira, para canal norte-americano CNN a presidente Dilma Rousseff voltou a condenar hoje o processo de impeachment, classificado por ela como golpe.
Dilma relatou que vai lutar não por conta do cargo, mas por princípio “democrático”. Ela criticou a chegada ao poder por meio do que chamou de “eleições indiretas”. “Estou mais triste, porque acho que a pior coisa para qualquer ser humano é ser vitima de injustiça. Estou sendo vítima. É o pior sentimento para um ser humano, porque você pode perder um ativo democrático dessa nação. Em minha história inteira, nunca pensei que iria experimentar de novo.”
Dilma repetiu que não cometeu crime de responsabilidade e que um governante não pode deixar a posição que ocupa por impopularidade. “Quem quer meu impeachment, os líderes do impeachment têm denúncia e processos de corrupção”, declarou ela.
A presidente salientou que o fato de ser mulher é um fator relevante, que explica o processo que está sofrendo. “Eles frequentemente falam que sou uma mulher dura. E respondo sempre da seguinte forma: ‘Sim, sou uma mulher dura, cercada por homens educados, gentis e amáveis. Só as mulheres são descritas como muito duronas no trabalho quando tomam uma posição”.
Ao ser questionada sobre os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, que ocorrerão em 99 dias, a presidente respondeu que vai se sentir triste se não for presidente quando o evento ocorrer. Na primeira quinzena de maio, os senadores vão decidir se ela deve ser afastada para que o mérito do processo de impeachment seja analisado.