O Presídio Regional de Passo Fundo registrou uma respeitável marca no mês de janeiro. Uma das maiores e mais importantes cadeias do estado está a um ano sem registrar fugas.
A data de 12 de janeiro também é marcada como o dia em que ocorreu uma das maiores fugas em quase meio século de existência da cadeia. Após a debandada a administração penitenciária foi trocada e uma investigação está em andamento para apurar as responsabilidades pelo fato. Após a substituição da administração, mais nenhum detento conseguiu escapar da casa prisional.
A Uirapuru chegou a receber cartas escritas por presos e familiares relatando a rigidez do novo comando do presídio, fato este que tem sido de vital importância para a manutenção da ordem e disciplina no local.
Na semana que marca um ano sem fugas no Presídio Regional de Passo Fundo a reportagem da Uirapuru visitou a cadeia para saber como esta a atual situação do local e o que tem sido feito para evitar que outros detentos consigam fugir.
Relembre como ocorreu a última fuga
Era aproximadamente 4h da manhã do dia 12 de janeiro de 2019 quando três criminosos utilizaram uma caminhonete S-10 de cor branca para derrubar o portão do pátio de veículos da cadeia. Imediatamente, os detentos, que, já esperavam pela ação, acessaram o forro da casa prisional seguindo até o pátio e, aproveitando-se do fato de o portão ter ficado sobre a caminhonete os apenados fugiram.
Durante a fuga, foram disparados tiros contra o prédio para retardar a reação dos agentes penitenciários que trabalhavam no momento.
Ao cruzarem os muros da penitenciária, os fugitivos passaram por um campo em frente ao presídio, na rua paralela à Rua Ana Neri, onde a investigação acredita que veículos aguardavam pelos detentos. Alguns deles eram considerados de alta periculosidade, envolvidos em assalto a bancos, roubos de veículos e tráfico.
No momento da fuga a casa prisional contava com sete agentes penitenciários para 758 detentos. Uma vistoria realizada no Presídio confirmou que os 17 detentos que fugiram acessaram o forro através de buracos abertos na laje do teto das celas.
Investigação
A Delegacia de Polícia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) investiga o caso e segundo o Delegado Diogo Ferreira a investigação está avançada. “Em relação a fuga está praticamente elucidado, quem planejou e quem deu apoio do lado de fora, porém como estamos fazendo uma investigação mais complexa com todos os fatos que abarcam o presídio está um pouco mais demorado”. Ferreira disse também que foram solicitadas perícias ao IGP que ainda não ficaram prontas.
Assim que tivermos o resultado das perícias poderemos retomar as investigações, fazendo a análise do conteúdo para poder dar uma resposta a comunidade”, esclareceu o delegado.
Dos 17 presos que fugiram naquela fatídica noite, 15 foram recapturados, um foi morto em confronto com a polícia e outro segue foragido.
Delegado Diogo Ferreira
Medidas para evitar novas fugas
De acordo com a atual direção do presídio todos os dias são realizadas revistas estruturais para verificar a presença de túneis, grades cerradas e outras situações que possam facilitar a fuga dos detentos.
A transferência de presos de maior periculosidade também é uma medida de controle da ordem e disciplina na cadeia. “Liderança negativa dentro do presídio vai embora. Não fica aqui e quando voltar ele volta pianinho” disse um dos diretores.
Outro ponto destacado pela direção do Presídio Regional é a troca de informações com outras instituições de segurança.
O trabalho conjunto entre a Susepe, Polícia Civil e Brigada Militar, principalmente no trabalho de inteligência tem trazido resultados positivos”, disse o diretor adjunto Márcio Dutra.
Apesar da necessidade de novos servidores, o diretor da cadeia, Rodrigo Locatelli diz que os agentes que prestam serviço em Passo Fundo vestiram a camisa e vem trabalhando para manter os resultados que são avaliados como positivos.
O apoio que a direção tem dos colegas é fundamental para a realização de um bom trabalho”, disse.
Para melhorar ainda mais o trabalho no presídio de Passo Fundo a direção destacou a necessidade da disponibilidade de mais policiais militares para a guarda externa e a vinda de novos agentes.
Na área externa, o cercamento do campo em frente a cadeia seria uma medida que diminuiria os arremessos de ilícitos para o interior do presídio.
A direção disse ainda que há previsão de uma reforma estrutural na edificação para 2020. Novas vagas seriam abertas promovendo uma condição mais digna para que os apenados possam cumprir suas penas.
Atualmente 736 detentos cumprem pena no regime fechado no presídio de Passo Fundo.