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Agronegócios

Presidente da Fecoagro recebe Prêmio Uirapuru Expodireto Cotrijal na categoria cooperativismo

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru
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O escolhido para a categoria Cooperativismo foi o presidente da presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do RS (FecoAgro), Paulo César Pires.

 

Ele é natural de São Luiz Gonzaga, formado em Agronomia pela Universidade de Passo Fundo, ex-presidente da Cooperativa Tritícola Regional São-Luizense – Coopatrigo e secretário do Sistema Ocergs-Sescoop/RS.

 

Confira entrevista que Paulo concedeu a JG e Ieda Almeida no stand da Uirapuru na Expodireto/Cotrijal.

 

 

Primeiro, parabenizamos o senhor pelo seu trabalho e por esse destaque, mas queremos saber se os maiores desafios da federação são encontrar mecanismos para ajudar as cooperativas que se encontram em dificuldades financeiras?

 

É um orgulho muito grande para nós. Muito obrigado pela oportunidade. Nós estamos, vai fazer um ano agora em maio, como presidente da FecoAgro – RS e como Secretário do Sistema Ocergs-Sescoop/RS. O que objetivo é contemplar todos os setores. Temos algumas cooperativas realmente em dificuldade e estamos encaminhando algum programa do governo federal para uma alavancagem dessas cooperativas. Eu tenho muita identidade com esse assunto, porque nós presidimos uma cooperativa que, em 1998, tinha extrema dificuldade de sobrevivência econômica e, através de uma reengenharia de gestão e um programa de incentivo do governo federal, conseguimos reconstruir essa cooperativa que hoje é uma cooperativa saudável. Aqui, estamos no epicentro disso, é essa pujança das cooperativas. A maioria delas está muito bem obrigado, com crescimento bem acima da média do país e com a capacidade de expansão e investimento muito boa como é a Cotrijal. Então, temos que olhar todos os ângulos e fazer um trabalho frente à Federação.

 

 

O senhor é de São Luiz Gonzaga, grandes momentos do desenvolvimento daquela região se deram através das cooperativas. Onde foram parar esses investimentos, caro presidente?

 

Em toda a fronteira, tivemos dificuldade de manter as cooperativas numa história. Eu não participei desta história. Temos Santiago com crise, onde tinha uma cooperativa e uma cooperativa de agricultura, tritícola. Hoje, infelizmente, as duas cooperativas agrícolas de arroz de São Borja entraram em dificuldade. Então, nesse sentido que estamos realmente propondo em mudar antes que se precise. Temos que nos antecipar a estes fatos. Participamos de um debate da situação das cooperativas e é isso que queremos mostrar para o pessoal. A maior empresa do estado se chama cooperativa, só que tem uma dificuldade, às vezes, de agir em sistema, então nos temos que nos organizar, temos o Sicredi como um bom exemplo. É também um exemplo para o sistema agropecuário e nós temos que fazer essa reinvenção. E essa é a proposta. Temos uma dificuldade, a FecoAgro e a Ocergs, não tem poder de intervenção sobre as cooperativas, então, a decisão tem que ser pregada e de convencimento, para que os presidentes mudem.

 

 

Deu para tirar aqueles que se aproveitavam, que se serviam do cooperativismo para enriquecer e faliram grandes investimentos cooperativos aqui em Passo Fundo, em Ijuí. Deram golpes em cooperativas e não devolveram esse dinheiro, um patrimônio que foi jogado fora e o agricultor está ai, até hoje, merecendo atenção. Vocês conseguiram se livrar deste joio, que vocês são o trigo?

 

Houve até um desgaste numa certa época, da imagem do cooperativismo como nós temos um desgaste hoje da classe política nesse sentido. A cooperativa tem três eixos principais na nossa opinião. Primeiro, tem que ter participação do associado. Nós temos hoje, infelizmente, uma sociedade que não gosta muito de participar das coisas comunitárias e acho que isso é uma coisa que tem que mudar. A participação dos associados é fundamental. Outro ponto é a transparência, não tem como falar em cooperativismo sem transparência. Nós temos que prestar contas. Mesmo que uma pessoa administre uma cooperativa por 30, 40 anos, ela não é dona da cooperativa, os donos da cooperativa são seus associados. Temos que ter essa prestação de contas, a transparência e, na minha opinião, uma coisa que é sagrada em cooperativismo, ter foco e eficiência. A cooperativa quando é ineficiente, não ajuda o seu associado, do contrário, acaba prejudicando seu associado. Então, temos que ser eficientes até para enfrentar esse mercado hoje que é muito competitivo nos mais diversos ramos. Temos que ser eficientes, transparentes e com a participação do associado se não vão acontecer esses fatos tristes que vocês citou.

 

 

A Rádio Uirapuru tem o princípio de apoiar o cooperativismo, a participação, seja do morador de bairro, do agricultor lá no campo. Temos esperança porque as grandes economias do mundo passaram pelo movimento cooperativista e vivem ainda hoje do movimento cooperativista. Nós queremos sucesso e vida longa para vocês. Mas queremos fazer mais uma pergunta, muitas cooperativas estão com dificuldades?

 

Nós temos algumas cooperativas que estão, na linguagem empresarial, em recuperação judicial que na linguagem, eu sou agrônomo, eu não sou advogado, mas na linguagem jurídica se chama autoliquidação.  São cooperativas que entraram numa dificuldade extrema e não tem como honrar seus compromissos.

 

 

É o caso de Erechim?

 

Eu trago uma notícia muito boa para vocês. Junto com a parceria e fazendo o dever de casa com o nosso presidente, Erechim é uma cooperativa que daqui alguns dias vocês vão ter notícias muito positivas. Nós vamos ter uma recuperação dessa cooperativa que foi uma das mais importantes do estado e eu tenho muita confiança, hoje, porque essa questão da participação que a gente levanta, a diretoria conseguiu fazer com que mesmo com dificuldades econômicas cumprisse seu dever com os associados, através de uma parceria com a Aurora de Santa Catarina e isso foi construído. Se nós conseguirmos enquadrar no MDA uma recuperação, uma alavancagem e não é dinheiro a fundo perdido. É um arranjo para as cooperativas inclusive com capacidade de interferência na gestão, tenham capacidade para alongar essa divida financeira. Pagar normal, com juros normais da agricultura familiar, mas pagar com tempo e nesse momento vamos ter essa notícia. Eu diria que não passam de 15 cooperativas em dificuldade no estado. Nós estamos construindo isso a quatro mãos. Não sabemos se a cooperativa A ou B vai se enquadrar dentro do programa porque estamos construindo com o governo federal, mas é um foco da FecoAgro de oportunizar uma recuperação destas cooperativas. Eu coloco com muita franqueza uma coisa, nós temos esse programa, mas é fundamental que a cooperativa faça a sua parte. Se a cooperativa não fizer o dever de casa, não houver a participação dos associados, não houver transparência, foco e gestão competitiva, a cooperativa não vai ter viabilidade.

 

 

Queremos dizer que o senhor é um orgulho nosso. Muito obrigado pela presença, e sinta-se em casa sempre que vier aqui.

 

Eu que me sinto honrado. Conheço a Uirapuru há mais de 30 anos quando estudava em Passo Fundo e ela já era um veículo de comunicação importante. É orgulho para mim. Fui pego de surpresa de receber esse prêmio. Agradeço e me coloco à disposição para construirmos, eu não digo novo cooperativismo, porque temos cooperativas maravilhosas. Nós defendemos muito que se uma cooperativa estiver ineficiente, ela tem que ceder o espaço, fazer com que haja uma integração e que outra cooperativa ofereça o serviço dos cooperativos àqueles produtores que habitam naquele lugar.