Presença italiana e o legado de suas gerações contribuíram para moldar a identidade de Passo Fundo
O município de Passo Fundo não foi uma “colônia italiana”, como ocorreu em cidades da região serrana do Rio Grande do Sul. A presença de imigrantes italianos na região remonta a 1840, antes mesmo do processo de imigração em massa incentivado pelo governo brasileiro, que teve início em 1875. Atualmente, a comunidade italiana no município — composta principalmente por descendentes de quarta ou quinta geração — é significativa e teve papel fundamental no desenvolvimento da cidade.
O programa Sem Segredo de sábado abordou o tema em comemoração aos 150 anos da imigração italiana para o Rio Grande do Sul. O historiador e doutor em História Alex Antônio Vanin, um dos coordenadores do livro que trata do assunto, reuniu artigos de outros pesquisadores e depoimentos de descendentes de italianos em Passo Fundo.
Segundo Vanin, os primeiros italianos que chegaram ao município na década de 1840 eram comerciantes, sem vínculo com a agricultura, e conseguiram desenvolver atividades comerciais e financeiras. Já os imigrantes que vieram posteriormente, a partir da colonização organizada pelo governo brasileiro, começaram a se estabelecer no início do século XX (por volta de 1900). Esses grupos se instalaram inicialmente em Marau e depois em localidades como São Roque, chegando também ao Bairro São Cristóvão — ainda hoje considerado o mais italiano de Passo Fundo.
Nessas áreas, os imigrantes deram continuidade às atividades que já realizavam na Serra Gaúcha, dedicando-se ao cultivo de subsistência e à abertura de bodegas ou armazéns, que comercializavam diversos produtos. Para Vanin, o São Cristóvão é, sem dúvida, o bairro mais italiano da cidade, pois sua origem, há 110 anos, está profundamente ligada à cultura e à tradição desses imigrantes.
Para manter a tradição e a cultura, os italianos criaram ao longo do tempo entidades de mútua ajuda, culturais e associações. Uma destas entidades, que tem mais de 35 anos é o Coral Ricordi de Itália, que se mantém em atividade e já com agenda cheia para este que marca os 150 anos da imigração. A presidente do Coral, Glaci Bortolini, também participou do programa. Com 23 membros, o coral faz apresentações em festas e eventos e mistura o repertório das nonas e nonos com músicas atuais. Os contatos para agendas podem ser feitos pelos telefones (54) 99912 1585 e (54) 999585616. A qualidade do trabalho, que busca preservar a cultura italiana mereceu diversos prêmios.
O programa contou com a participação do novo presidente da Câmara de Comércio Italiana do Rio Grande do Sul, Erasmo Battistella. Ele assumiu a presidência nesta semana com o objetivo de reativar as relações comerciais e de serviços entre o estado e a Itália. Erasmo destacou que, desde sua aproximação com o cônsul-geral da Itália no Rio Grande do Sul, Valerio Caruso, algumas ações já haviam sido implementadas, como a introdução da disciplina de italiano no IE, inclusive com professores italianos ministrando as aulas. À frente da entidade, afirmou que buscará ampliar a presença da Câmara no interior do estado, promovendo e participando de eventos que aproximem comunidades e empresas dos setores primário, industrial, comercial e de serviços. Durante entrevista à Rádio Uirapuru, ele também anunciou o jantar italiano que será realizado em julho.