Possível contaminação por agrotóxico atinge 10 pessoas em Cacique Doble
Uma possível contaminação por agrotóxico em Cacique Doble está sendo investigada pelo Ministério Publico do Estado. Segundo informam 10 pessoas estariam internadas e a causa apontada seria a aplicação de produto proibido.
Dentre os atingidos está um bebê de 40 dias e outras duas crianças. Eles apresentam os mesmo sintomas: falta de ar, sensação de sufocamento, feridas e coceira, após consumirem água do riacho e do poço.
No dia 5, o MP em São José do Ouro apreendeu o trator utilizado, o pulverizador e quatro embalagens de agrotóxicos, que continham substâncias como o 2,4-D, proibido por lei municipal de ser aplicada nas lavouras.
Os moradores registram que, a água do riacho possivelmente contaminado tinha com a coloração esbranquiçada, como se estivesse com excesso de cloro, mas com um cheiro forte e insuportável.
De acordo com a médica Alexandra Bastos, que atendeu os pacientes, os sintomas não são de intoxicação pelo ar. “Quando a pessoa tem uma exposição mais profunda com gases tóxicos, a pessoa faz uma pneumonite química, que é como se fosse uma pneumonia, e isso aparece na ausculta (uso do estetoscópio para verificar a atividade dos pulmões). Em 24 horas, que foi quando eles começaram a chegar, eles já teriam alguma modificação na ausculta pulmonar”, explicou.
Amostras de sangue dos pacientes foram coletadas para verificar se há a presença de alguma substância nociva.
Representantes do Agrotóxico esclarecem:
A Iniciativa 2,4-D teve conhecimento pela imprensa do ocorrido no município de Cacique Doble, no Rio Grande do Sul. No entanto, as matérias trazem algumas informações incorretas sobre 2,4-D, conforme abaixo:
- Ao contrário do que foi mencionado, o uso do herbicida 2,4-D não é proibido em Cacique Doble. Não há registros de leis municipais e/ou qualquer ordem judicial que restrinjam a utilização de produtos com a presença desta molécula na composição.
- As reportagens informam que o riacho próximo à comunidade apresentava coloração esbranquiçada. O 2,4-D não provoca esta reação em ambientes aquáticos, sendo inclusive aprovado pela Agência Americana de Proteção Ambiental (EPA) para controle de plantas aquáticas.
O 2,4-D possui registro em mais de 70 países, todos com tradição agrícola, incluindo o Brasil. De acordo com estudos realizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), Agência Regulamentadora do Canadá (PMRA), Comissão Europeia e a Agência Americana de Proteção Ambiental (EPA) o 2,4-D é seguro para utilização na agricultura e não há nenhuma evidência de que seu uso cause efeitos no meio ambiente e na saúde humana, quando os usuários seguem as instruções do uso.
Até o momento, as empresas que fazem parte da Iniciativa 2,4-D não receberam notificação oficial sobre o caso. Entretanto, o grupo se coloca à disposição para esclarecer dúvidas sobre o 2,4-D e sobre Tecnologia de Aplicação de herbicidas, reforçando o seu compromisso em educar o produtor sobre a importância da utilização correta de tecnologias que garantam a qualidade da aplicação dos defensivos agrícolas.