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Economia

Política de preços das grandes distribuidoras empurra donos de postos ao fechamento, alerta associação

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru

A Uirapuru realizou um levantamento onde foi apontado pelo menos 6 postos de gasolina que fecharam em Passo Fundo nos últimos meses. Alguns locais deram espaço para construções de prédios, outros simplesmente estão fechados.

Um dos empresários locais explicou que, no seu caso, a baixa margem de lucro, além da redução no fluxo de veículos, foi a principal causa do fechamento. O empresário disse ainda que, por ter só um posto, comprava gasolina muitas vezes 10 centavos mais caro do que concorrentes vendiam na bomba, obrigando ele a colocar um preço alto e assim perder clientes para a concorrência.

Sobre este assunto, a Uirapuru conversou na tarde desta sexta-feira (25) com o diretor executivo da AbriLivre – Associação Brasileira de Revendedores de Combustíveis Independentes e Livres, Dr. Rodrigo Zingales.

Zingales explicou que, de fato, há uma discriminação das bandeiras de combustível que desfavorece o empresário que não é dono de rede. Quando um posto tem determinada bandeira, há um contrato para que ele compre a gasolina somente daquela distribuidora, com preço determinado por esta.

Um posto sem bandeira exclusiva pode comprar combustíveis de outras distribuidoras e estas, para absorver estes mercado, fazem preços competitivos. Estes preços não são os mesmos oferecidos aos que obedecem o contrato de bandeira, gerando o descompasso de preços. Com preços superiores, além de margens pequenas, impostos que podem chegar a 35% do valor final na bomba, cria-se um mecanismo que impacta fortemente o empresário e está causando fechamento de vários postos.

Zingales alertou que, entre 2018 e 2019, cerca de 2 mil postos fecharam no Brasil devido a esse problema, não sendo algo localizado, mas um problema nacional. Shell, Ipiranga e Petrobras absorvem 50% do mercado e fornecem todos os combustíveis vendidos no país. A única alternativa para mudar o cenário é uma política de preços diferentes, sem lançar qualquer custo aos empresários, podendo assim haver a competitividade. Enquanto isso não ocorre, a situação caminha cada vez mais para o pior.

Para o diretor, o futuro dos postos não é nada promissor, pois a pandemia trouxe a incerteza do consumo e o mercado de veículos elétricos deixa este setor na obrigação de se reinventar.

Ouça a entrevista com o diretor executivo da Associação Brasileira de Revendedores de Combustíveis Independentes e Livres, Dr. Rodrigo Zingales: