Policiais de Passo Fundo e região concluem curso sobre violência doméstica e atuação nas Patrulhas Maria da Penha
Foi realizada nesta sexta-feira (13), em Passo Fundo, a formatura do curso básico de enfrentamento à violência doméstica e capacitação das Patrulhas Maria da Penha da Brigada Militar. A cerimônia ocorreu na sede do Instituto de Educação, reunindo policiais militares de diferentes municípios da região Norte do Estado.
De acordo com o 1º tenente Erlon César de Paulo, facilitador e responsável pela condução do curso, a capacitação teve carga horária de 36 horas e se desenvolveu ao longo de três dias. O objetivo, segundo ele, é formar policiais aptos a oferecer um atendimento mais acolhedor e humanizado às vítimas de violência doméstica.
“O curso busca quebrar alguns paradigmas da nossa atuação enquanto militares. Trabalhamos a empatia e o acolhimento para que o policial compreenda o sofrimento vivido por essas mulheres e esteja preparado para atendê-las adequadamente”, explicou o tenente Erlon.
A formação também abordou o trabalho das Patrulhas Maria da Penha, que têm como função acompanhar vítimas e fiscalizar o cumprimento das medidas protetivas determinadas pelo Judiciário. Segundo o tenente, essa etapa é essencial para garantir a continuidade do atendimento às mulheres após a denúncia inicial.
“O policial da patrulha não realiza rondas comuns. Ele passa o turno inteiro de casa em casa, fiscalizando as medidas protetivas e oferecendo suporte às vítimas. É um trabalho constante e exige comprometimento”, afirmou.
Conforme o tenente, os policiais que participam do curso são voluntários e devem demonstrar interesse e perfil para atuar nessa área. Também é feita uma triagem prévia para evitar a participação de agentes que tenham histórico de envolvimento em ocorrências relacionadas à violência doméstica.
“O policial precisa querer. Além disso, fazemos uma verificação do seu histórico, porque não pode haver contradições no trabalho”, destacou.
Dos 24 policiais formados nesta edição, nenhum é necessariamente destinado de forma imediata a integrar as Patrulhas Maria da Penha. No entanto, a formação visa ampliar a cultura de acolhimento e orientar os agentes para que possam aplicar esse olhar em diferentes situações.
“Mesmo que não ingressem na patrulha, esses policiais passam a atuar com uma nova consciência sobre o atendimento às vítimas de violência doméstica, nos diversos locais em que prestam serviço”, disse o tenente.
Erlon também chamou atenção para o número elevado de ocorrências relacionadas à violência doméstica na região, que, segundo ele, estão entre as mais frequentes atendidas pela Brigada Militar, ao lado das denúncias por perturbação do sossego.
“Atendemos um volume muito alto de casos. E é preciso reforçar que violência não é só agressão física. Começa com uma fala, depois um empurrão, um beliscão. Se não houver ruptura nesse ciclo, o caso pode evoluir para um feminicídio”, pontuou.
Segundo ele, os índices de feminicídio no Estado apresentaram redução, o que é visto como reflexo da atuação preventiva. Para o tenente, o aumento nas denúncias também deve ser interpretado como um avanço, pois demonstra maior consciência das vítimas sobre o que configura violência.
“Quando a mulher denuncia, não quer dizer que a violência aumentou. Quer dizer que ela entendeu que aquilo é violência e que precisa de apoio. Isso é resultado do trabalho de orientação que temos feito”, afirmou.
A Brigada Militar, por meio das Patrulhas Maria da Penha, mantém ações preventivas e de acompanhamento contínuo em diversos municípios. Conforme tenente Erlon, o trabalho é permanente e visa preservar vidas.
“Se eu salvar uma vida com esse trabalho, já cumpri meu objetivo. Não há como valorar a vida que conseguimos preservar”, concluiu.