Polícia Civil desmantela quadrilha que fraudava vales-transportes e desviou 2 milhões de reais da COLEURB
No início da manhã desta quinta-feira (12), o município de Passo Fundo foi surpreendido por mais uma operação desencadeada pela Polícia Civil que desmantelou uma quadrilha que fraudava vales-transportes e desviava valores da Empresa Concessionária de Transporte Coletivo, COLEURB.
A ação policial foi coordenada pelo Delegado Diogo Ferreira, titular da 1ª Delegacia da Polícia Civil, e foi denominada como Bilhetagem. Participaram das diligências 100 policiais das demais delegacias do município e da região.
As investigações iniciaram no mês de junho do ano passado, quando a direção da COLEURB protocolou uma ocorrência denunciando um esquema formado por funcionários que estariam fraudando os caixas das linhas de ônibus.
Durante as diligências, foi possível apurar que o esquema consistia em trocar passagens estudantis e vales-transportes comprados em pontos de vendas ilegais a valores muito abaixo do tabelado e trocá-las nos caixas das linhas de ônibus por dinheiro em espécie referente ao seu valor integral.
Sempre no final do turno de serviço, o cobrador que aplicava o golpe retirava os valores do caixa e subtraia para si o valor correspondente a diferença entre quantia paga ilegalmente pelas passagens e o valor efetivamente pago pelos passageiros.
Para perpetuar os esquemas lucrativos que criaram, alguns cobradores e motoristas passaram a recrutar os novos funcionários da COLEURB ainda em fase de treinamento na empresa e assediá-los a participar da fraude.
Aqueles que se recusavam a fazer parte deste esquema eram ameaçados, agredidos e constrangidos por funcionários integrantes da organização. Durante as investigações, uma das formas de ameaça que chamou a atenção dos policiais foi o caso de funcionários organizarem assaltos encomendados a serem executados por assaltantes em linhas específicas que o cobrador se negava a participar do esquema.
Com o objetivo de reunir provas que levassem ao indiciamento dos envolvidos, câmeras de videomonitoramento foram instaladas em alguns dos ônibus da empresa e registraram o turno de serviço de certos cobradores. Sem saberem que eram gravados, foi possível comprovar que nove entre dez investigados aplicavam o golpe.
Foi constatado que o montante subtraído indevidamente dos caixas da empresa gira em torno de 150 mil a 200 mil reais mensais, ou seja, o equivalente ao valor de seis ônibus novos por ano, algo em torno de 2 milhões de reais anuais de prejuízo.
Ao deflagrar a operação foram cumpridos 40 mandados judiciais, sendo 20 de busca e apreensão e 20 de medidas cautelares diversas da prisão (proibição de aproximação de testemunhas e recolhimento domiciliar noturno).
Os investigados estavam trabalhando nos coletivos quando foram abordados pelos policiais e conduzidos até a 1º DP. Apenas um investigado acabou preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo, os outros prestaram depoimentos e foram liberados. Na conclusão do inquérito policial, todos poderão ser indiciados pelo crime de peculato e associação criminosa.
O responsável pela operação, Delegado Diogo Ferreira e o Delegado Regional Adroaldo Schenkel frisaram mais uma vez que a alternativa viável para a redução nas fraudes nos caixas das empresas, diminuição de assaltos e venda ilegal de passagens é necessária de maneira urgente ser feita a instalação da bilhetagem eletrônica nos coletivos do município.