O lançamento do Plano Safra 2025/2026, anunciado pelo governo federal nos dias 30 de junho e 1º de julho, trouxe alterações relevantes nas condições de financiamento para o setor agropecuário. Ao contrário da expectativa de redução nas taxas de juros, o governo optou por um reajuste de dois pontos percentuais em praticamente todas as linhas de custeio. As novas diretrizes têm provocado preocupação entre produtores e instituições financeiras, especialmente diante de um cenário marcado por riscos climáticos e instabilidade de mercado.
Em entrevista ao programa Cotações e Mercado, da Rádio Uirapuru, Alessandro Mucha, assessor de desenvolvimento de negócios da Sicredi Integração de Estados RS/SC/MG, comentou os principais impactos das mudanças e as estratégias da cooperativa para atender os associados. Ele avaliou que o aumento das taxas surpreendeu o setor, que aguardava uma sinalização de alívio financeiro.
De acordo com Mucha, com as novas regras, a taxa de juros para os pequenos produtores, enquadrados no Pronaf, passou de 6% para 8% ao ano. Para os produtores do Pronamp, o índice subiu de 8% para 10%. Já os grandes produtores passaram a operar com taxa de 14%, contra 12% no ciclo anterior. O assessor afirmou que, apesar de a instituição reconhecer que as taxas são elevadas e que os produtores necessitariam de condições mais acessíveis, o Sicredi deve seguir as normas estabelecidas pelo governo.
Mucha também comentou que, com o fim da equalização de juros para grandes produtores, alternativas como a Cédula de Produto Rural (CPR) vêm ganhando força. No entanto, observou que esse tipo de operação, por envolver taxas superiores à Selic, pode tornar o financiamento ainda mais oneroso. Mesmo diante desse cenário, informou que o Sicredi já está com os recursos disponíveis e realizando contratações para a próxima safra, respeitando os novos parâmetros estabelecidos pelo plano.
Com o objetivo de orientar os cooperados, Mucha anunciou que no dia 8 de julho será realizado um encontro com as equipes de assistência técnica (Astec) da região, com transmissão para Minas Gerais e Santa Catarina. Segundo ele, o evento tem como foco apresentar as atualizações do Plano Safra e reforçar a importância do planejamento técnico na concessão do crédito rural.
Ao analisar o contexto atual do crédito rural, Alexandre Palma Palagio, presidente da Sicredi Integração de Estados RS/SC/MG, destacou os riscos inerentes à atividade agropecuária, que depende de fatores climáticos e de mercado. Ele acrescentou que, embora o custo financeiro das operações esteja elevado, a cooperativa segue comprometida em apoiar os produtores com responsabilidade técnica e orientação adequada.