Planejamento auxilia quem quer passar o próximo ano sem aperto, alerta economista
O fim de ano costuma trazer não apenas momentos de confraternização, mas também um aumento significativo nas despesas das famílias brasileiras. Gastos com presentes, viagens, festas e ceias acabam pressionando o orçamento, especialmente para quem já vinha enfrentando dificuldades financeiras ao longo de 2025. O resultado, para muitos, é o acúmulo de dívidas e contas em atraso, cenário que se repete em grande parte do país.
Apesar do aperto, especialistas apontam que o encerramento do ano pode ser um período estratégico para reorganizar as finanças e iniciar um novo ciclo com mais equilíbrio. Os últimos dias de dezembro são indicados para um diagnóstico financeiro detalhado, listando todas as fontes de renda, despesas fixas e variáveis, além dos compromissos pendentes. A partir desse levantamento, é possível identificar excessos, ajustar hábitos de consumo e definir prioridades para o próximo ano.
Segundo a economista Giana Mores, professora do mestrado em Administração da Atitus Educação, o planejamento financeiro ganha ainda mais importância em um cenário de juros elevados. Mesmo com a expectativa de cortes graduais na taxa Selic ao longo de 2026, o crédito segue caro e exige cautela nas decisões de consumo. De acordo com ela, a organização do orçamento precisa estar alinhada à realidade da renda e da rotina de cada pessoa, com metas possíveis e foco na constância das escolhas ao longo do tempo.
Para quem encerra o ano endividado, a recomendação é agir com calma e planejamento. Reunir informações sobre valores, prazos e taxas facilita a visualização do problema e abre espaço para negociações com credores. Redefinir prazos, buscar descontos e evitar novas compras desnecessárias são medidas fundamentais até que a situação esteja estabilizada. Pequenas mudanças, mantidas de forma consistente, podem gerar resultados relevantes no médio prazo.
A atenção também deve ser redobrada com ofertas de crédito fácil, parcelamentos longos e compras por impulso. Juros elevados ampliam o impacto de decisões não planejadas e podem comprometer ainda mais o orçamento. A construção de uma reserva financeira, mesmo que pequena, ajuda a evitar soluções emergenciais mais caras no futuro.
Dados do Serasa reforçam a dimensão do desafio. Em outubro deste ano, cerca de 73,10 milhões de brasileiros estavam endividados, a segunda maior marca registrada em 2025. A maior concentração está entre pessoas de 41 a 60 anos, seguidas pelo grupo de 26 a 40 anos, refletindo o impacto do custo de vida e do comprometimento da renda. As informações são do Serasa e da Atitus Educação.