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Geral

Planejado nos anos 60 aeroporto de Leonel Brizola está esquecido e abandonado em Passo Fundo

Públicado em Por RD Uirapuru / Redação Uirapuru
Imagem não disponível

Em meio a discussões de ampliação do Aeroporto Lauro Kortz, em que autoridades locais anunciaram investimento superior a R$40 milhões de Reais para sua recuperação, a  Rádio Uirapuru relembra o caso do antigo Aeroporto de Leonel Brizola. Idealizado ainda nos anos 60, a pista chegou a receber terraplenagem e cercamento, mas com o passar dos anos, acabou engolida por plantações de soja e hoje permanece escondida às margens da BR 285, próxima a entrada de Pulador, distante 22km de Passo Fundo.

 

Conforme um antigo aviador, que pediu para ter sua identidade preservada, o atual aeroporto Lauro Kortz está localizado na pior área para aviação na região. A pista está em localizada em uma área muito alta, com mananciais próximos, um lixão e ainda, um parque de eventos. O aterro atrai corvos, que em caso de choque com o avião podem causar um grave acidente. O parque de eventos é um local perigoso onde os aviões não poderiam escapar em caso de uma manobra de emergência e  a presença do manancial aumenta o risco de nevoeiros. Somando-se a este fator, a pista ainda tem o vento chegando de forma lateral, o que dificulta pousos e decolagens.

 

A discussão entre os pilotos e profissionais da aviação é a viabilidade de investir mais de R$40 milhões na reforma de um aeroporto que hoje é um risco  e não tem alternativas de crescimento, uma vez que está próximo a área de preservação ambiental e sem qualquer perspectiva de liberação por parte do IBAMA. Outro problema apontado pelo aviador, é que os equipamentos em operação, atualmente, são das décadas de 80 ou 90. Um destes equipamentos foi recebido de Caxias do Sul, quando o aeroporto daquela cidade modernizou os instrumentos e doou o antigo a Passo Fundo. O equipamento limita o teto em dias de nevoeiros, fazendo com que o aeroporto não opere ao menor sinal de neblina.

 

A pista ainda é desprotegida, com cercas esburacadas , onde foi relatado um incidente envolvendo javalis na pista. Os animais cruzaram a cerca pelo buraco  e foram atropelados pela aeronave, causando transtornos. A aeronave ficou em Passo Fundo por dois dias até que uma equipe de engenheiros veio de São Paulo para inspecionar o trem de pouso e autorizar a sequencia das operações.

 

Para a comunidade aviadora, a melhor alternativa seria investir e ressuscitar o antigo Aeroporto de Leonel de Moura Brizola. A pista poderia ser terminada no local, que tem uma localização excelente. Especialistas mapearam a região e foi identificado aquele ponto  como o mais favorável na direção do vento, além de estar entre duas coxilhas, proporcionando uma pista de 2 quilômetros e 500 metros. O tamanho possibilitaria a vinda de aeronaves de nível internacional, transformando o Aeroporto no maior do interior do Estado. Localizado a apenas 22km de Passo Fundo, o local estaria também próximo de Carazinho e cidades  mais disntantes de Passo Fundo, o que fomentaria os voos regionais.

 

Na década de 60, após a terraplenagem, foram colocados pilares importados ao longo de toda a área, que resistem até hoje firmes. Na época o terreno era de propriedade de Felipe João da Silva, o Felipão, negro filho de escravos, que após uma vida de duro trabalho na tropeada , comprou 2 mil e 300 hectares de terras que estavam indo a leilão, através de intermédio de um amigo. Felipão acabou doando ao Estado a área para o Aeroporto Brizola, que com o passar dos anos não teve continuidade e as terras, do Estado, acabaram sendo vendidas. Hoje os proprietários seguem com plantio de soja no local, mas a área da pista continua plana, como pode ser vista em imagem de satélite.