PIX é uma ferramenta prática, mas é preciso ter cuidado ao utilizá-la, alerta coordenador da IMED
O Banco Central informou na última semana que houve vazamento de dados de “natureza cadastral” relacionados com o PIX de clientes da instituição financeira Logbank Soluções em Pagamentos SA. De acordo com o BC, dados cadastrais vinculados a 2.112 chaves PIX, contendo o nome do usuário, CPF, instituição de relacionamento e o número da conta, foram vazados. Esse foi o terceiro vazamento de informações relativa ao PIX, sistema de transferência de recursos do Banco Central em tempo real.
Em entrevista na Uirapuru, o coordenador da graduação em Ciências da Computação da IMED, Marcos Roberto dos Santos, explicou que apenas com o vazamento da chave PIX não é possível tirar dinheiro da conta de ninguém, mas nestes casos citados, houve ainda o vazamento de nomes, documentos, agências as quais a chave está ligada, além do número de conta. Com todos estes dados, os cibercriminosos podem aplicar golpes, utilizando o montante para abrir conta em lojas, realizar transações pela internet e utilizar estes dados para crimes.
Santos revela que os vazamentos desta semana não ocorreram porque os usuários compartilharam a chave PIX com alguém, mas por uma questão de instituição, que pode ter uma Interface de Programação de Aplicações (API) mal feita, que abriu brechas para criminosos terem acesso aos dados.
Segundo o coordenador, os cibercriminosos têm diversos ataques diferentes para cometerem seus golpes, principalmente em sistemas mal programados em nível de segurança. É um cenário que alerta todos nós, enquanto cidadãos, para que cada vez mais haja cuidado, não só com os dados, mas também com onde e para quem são fornecidos estes dados. Santos lembra que é raro uma pessoa não utilizar PIX atualmente, já que é uma ferramenta tranquila para movimentação. Também entende que não há um problema de segurança ao utilizar o PIX, que é uma ferramenta útil e prática, mas é preciso ter cuidado e estar ciente que falhas podem acontecer.
Ainda, Santos lembra que os crimes virtuais já ultrapassaram os reais em nível de quantidade há muito tempo e, por isso, para participar deste novo mundo da tecnologia, é preciso estar atento.