PF e MPE divulgam detalhes da Operação Carmelina
Em entrevista coletiva nesta tarde foram divulgados detalhes da Operação Carmelina que resultou no desmantelamento de um grupo que se apropriava indebitamente do dinheiro de clientes de um escritório de advocacia. O delegado da Polícia Federal em Passo Fundo, Mário Luis Vieira, iniciou dizendo que o crime não compensa e as quadrilhas podem ser desbaratadas através da união das autoridades responsáveis. Segundo Vieira, nesse caso foram milhares de crimes, que todos os passo-fundenses esperavam que fossem punidos, como de fato hoje o foram.
O delegado lembra que o principal envolvido não está no Brasil mas nas próximas horas o advogado Maurício Dalanhol deve ser preso pela Interpol. Vieira afirma que a organização é maior, pois há envolvidos “acima e abaixo” do líder da quadrilha e garantiu que vão surgir outras novidades, pois há muita pessoas que estão ganhando dinheiro fácil, mas em breve “vai começar a bancarrota e quem tem envolvimento pode esperar uma visita da Polícia Federal”.
Também foram divulgados detalhes da casa em que Dalanhol morava em Passo Fundo, em um local extremamente luxuoso, com salas de cinema, adegas e até uma boate. Também foi encontrado, através da denúncia de um ouvinte da Rádio Uirapuru, uma sala secreta em que foram encontradas sacolas e mala de dinheiro, com quantia ainda não contabilizada.
O promotor Álvaro Póglia, do Ministério Público Estadual, frisou que há crimes registrados não só em Passo Fundo e região, mas em Alegrete, Uruguaiana, Vacaria, Caxias do Sul e Porto Alegre, entre outras cidades. O advogado deve responder por apropriação indébita majorada e formação de quadrilha. Póglia disse que esta é uma primeira fase de investigações e a partir das coletas de provas pode-se gerar novas ações penais com novas vítimas.
O promotor disse que a prisão e o desbaratamento da quadrilha demorou porque é preciso fazer uma minuciosa investigação , que foi complexa pois envolve muitas vítimas. Nos 27 casos, segundo o promotor, também foram oferecidas medidas assecuratórias de apreensão de bens imóveis, de avião, e congelamento de algumas contas bancárias. A Polícia Federal foi acionada para auxiliar na investigação pelo fato de terem ocorrido crimes federais como sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Em relação aos outros envolvidos foram concedidas medidas alternativas como pagamento de fianças de R$ 166 mil R$ 724 mil.