“Pedido de perdão são palavras ao vento”, diz promotor em júri por morte de criança
A fase de debates no Tribunal do Júri da Comarca de Passo Fundo começou na tarde desta sexta-feira (6) com a manifestação do Ministério Público no julgamento de Patrick Silva Mendes, acusado de provocar o acidente que resultou na morte do menino Endriel de Camargo Borges, de 5 anos.
O promotor de Justiça Rodrigo Alberto Wolf Piton abriu a etapa de debates e utilizou cerca de uma hora e meia para apresentar aos jurados a tese da acusação.
Durante a sustentação, o promotor relembrou pontos da denúncia do Ministério Público e exibiu vídeos de depoimentos colhidos durante a investigação e ao longo do processo.
Um dos elementos destacados pela acusação foi depoimento do adolescente que estava no veículo e chegou a ser apontado inicialmente como motorista. Conforme o relato apresentado no processo, o menor afirmou que foi ameaçado pelo réu após o acidente e que, por medo, chegou a mudar de estado para preservar sua segurança.
O Ministério Público também apresentou depoimentos de testemunhas que afirmaram que Patrick e a namorada teriam ingerido bebida alcoólica e usado maconha antes do acidente.
Segundo relatos apresentados no processo, o acusado apresentava fortes sinais de embriaguez, a ponto de ter dificuldade para se manter em pé.
Um policial militar que atendeu a ocorrência declarou em depoimento que o réu estava mais embriagado que o adolescente que estava no carro, afirmando que Patrick apresentava hálito etílico e evidente estado de embriaguez.
Outro policial ouvido durante o processo relatou que o réu e sua namorada chegaram a apontar o adolescente como sendo o motorista do veículo, o que teria induzido os policiais ao erro no primeiro momento da ocorrência.
Durante a manifestação, o promotor também se referiu ao pedido de perdão feito pelo réu à família da vítima durante o interrogatório.
Para o Ministério Público, as desculpas apresentadas por Patrick não demonstram arrependimento verdadeiro.
“Pedido de perdão são palavras ao vento”, afirmou o promotor aos jurados, sustentando que o acusado estaria mais preocupado com as consequências do crime do que com a morte da criança.
Após a manifestação do Ministério Público, também utilizaram a palavra como assistentes da acusação os advogados Alisson Doneda e Luiz Ronaldo Junior e Elias Paranhos, que falaram aos jurados reforçando a tese de culpabilidade do réu.
O julgamento segue no Tribunal do Júri de Passo Fundo e, ao final dos debates, os sete jurados irão decidir sobre a responsabilidade do acusado no caso.