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Polícia

Passo Fundo tem elevação pontual nos furtos de veículos e polícia aponta uso de modelos como moeda de troca

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

Foto Ilustrativa/ Freepik

Nos últimos dias, registros de furtos de veículos passaram a ocorrer com maior frequência em Passo Fundo. A variação foi analisada pela Polícia Civil, que passou a investigar se o movimento está relacionado ao fim do ano ou a uma mudança de cenário no município. O tema foi tratado pelo delegado regional da Polícia Civil, Adroaldo Schenkel, em entrevista à Rádio Uirapuru.

O delegado informou que houve elevação nos furtos em novembro e nos primeiros dias de dezembro. Ele contextualizou que o controle estatístico iniciado em 2010 apontava cerca de 370 furtos por ano. Segundo ele, os números subiram até 2015, quando chegaram a 635 casos, e permaneceram elevados em 2016 e 2017. Schenkel explicou que a redução começou em 2018, atingiu o menor nível em 2020, com cerca de 200 registros, e fechou 2023 em torno de 250. Ele acrescentou que, até 10 de dezembro de 2024, foram contabilizados 200 furtos.

Schenkel relatou que a Draco, delegacia especializada em furto e roubo de veículos, acompanha o tema e mantém troca contínua de informações com a Brigada Militar. Ele observou que a maior parte dos veículos furtados é recuperada, muitos deles intactos. O delegado afirmou que parte dessas ocorrências está ligada a abandonos logo após a subtração, enquanto outras envolvem retirada de rodas, bancos ou acessórios. Ele acrescentou que um número relevante de registros envolve falsas comunicações de crime.

O delegado explicou que falsos registros surgem em situações como fraudes relacionadas a seguro, negócios em que o comprador não paga pelo veículo, tentativas de cancelar autuações eletrônicas ou casos de embriaguez ao volante. Ele citou ainda veículos usados em crimes e posteriormente registrados como furtados para afastar responsabilidades. Segundo ele, há também situações de extorsão envolvendo veículos sem seguro, quando a vítima se sujeita a entregar valores e pode ser alvo de estelionato.

Schenkel informou que ainda ocorrem furtos em que o veículo é levado para deslocamentos curtos e abandonado em seguida, prática facilitada em modelos sem sistemas avançados de segurança. Ele destacou que a maioria das falsas comunicações é comprovada durante a investigação, o que leva à responsabilização dos envolvidos e à apuração de eventuais crimes conexos.

O delegado afirmou que uma modalidade que chama atenção atualmente é o furto de caminhonetes, especialmente modelos da Toyota. Ele disse que o sistema de ignição por botão facilita a ação criminosa e que esses veículos possuem grande valor em países do Mercosul, onde podem ser usados como moeda de troca ou veículos para transporte de ilícitos. Ele acrescentou que as forças de segurança vêm recuperando a maior parte das caminhonetes furtadas, com prisões e identificação de autores.

Schenkel explicou que o interesse por determinados modelos varia ao longo dos anos. Ele lembrou que, em períodos anteriores, veículos da Mitsubishi, como a L200, eram alvos frequentes. Ele afirmou que diversos grupos atuam na prática e que o foco atual recai sobre modelos mais valorizados no comércio ilegal.

O delegado observou que criminosos avaliam fatores como facilidade de execução, dificuldades de investigação e possível lucro ao escolherem os alvos. Ele mencionou que muitos envolvidos já têm passagens pelo sistema prisional e que a legislação penal e de execução contribui para reincidências.

Ao avaliar o cenário de segurança, Schenkel afirmou que Passo Fundo registra redução nos principais indicadores de violência, como roubos a pedestres, roubos de veículos, ocorrências em propriedades rurais e estabelecimentos comerciais. Ele informou que não houve roubo a bancos, latrocínio, feminicídio nem ataques a transporte de valores no ano. Segundo ele, a integração entre Polícia Civil e Brigada Militar tem sustentado esse resultado.