Passo Fundo registra pior ano em relação transplantes de órgãos por conta da pandemia
A pandemia fez com que Passo Fundo registrasse o pior ano em relação a doação de órgãos. O número de doadores brasileiros é considerado baixo quando comparado à quantidade por milhão de habitantes e países que são símbolos de eficiência em captação de órgãos, como a Espanha, por exemplo.
A pandemia, no entanto, causou uma queda ainda maior devido à diminuição de leitos de UTI, que foram priorizados para atender pacientes com Covid-19, e a redução da malha aérea que permite o transporte de órgãos entre os estados.
Passo Fundo
Conforme o médico, Dr. Paulo Reichert, os transplantes de órgãos em Passo Fundo foram muito afetados por conta da pandemia. Nos últimos 20 anos, esse foi o que registrou o menor número de procedimentos.
De acordo com o especialista, a oferta de órgão diminuíram em função do coronavírus. Diversos fatores são elencados para justificar a queda.
Potenciais doadores estão próximos de pacientes com covid-19 e, por isso, torna perigoso o transplante. Além disso, impossibilita o contato do doador com o médico e o receptor.
Outro fator foi o isolamento social que diminuiu drasticamente as mortes violentas. Na maioria das vezes os órgãos transplantados vem de vítimas de morte encefálica causada por traumas ou violência. Os acidentes de trânsito diminuíram, sendo que era um dos principais causadores de mortes cerebrais.
Com número menor de mortes cerebrais, os transplantes também despencaram. Conforme Reichert, ninguém quer que mortes e tragédias ocorram, porém o principal doador é a vítima de morte cerebral.
Outro fato que fez os transplantes caírem foram as UTIs lotadas. Os hospitais estiveram com seus leitos comprometidos durante o ano todo por conta do coronavírus. Após um transplantes, muitos precisam de um leito de tratamento intensivo, com as vagas lotadas, o transplante não podia acontecer.
Angústia nas filas de espera
De acordo com o médico Paulo Reichert, a angústia de pessoas que estão na fila de um transplante é grande e só piorou em razão de todas essas dificuldades. Os pacientes estão sendo monitorados frequentemente, visando amenizar a demora e adiar o transplante.
O lado positivo, conforme o médico, é que as pessoas estão entendendo a importância de ser um doador e o número de doadores subiu nos últimos anos.