Passo Fundo registra casos diários de denúncias sobre exploração sexual de crianças e adolescentes
Esta quinta-feira (18), é o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A data foi escolhida para marcar o caso de Araceli Crespo, que em 1973, aos 8 anos de idade, foi sequestrada na saída da escola e por dois dias foi espancada, drogada e estuprada, antes de ser assassinada. A ideia da proposta é estender o combate à violência sexual contra crianças para todo o mês, com a campanha Maio Laranja, que reúne ações de conscientização e prevenção ao abuso de menores.
Vale ressaltar que o Brasil hoje ocupa uma vergonhosa vice-liderança no número de casos de abuso, aparecendo também no segundo lugar no ranking mundial de exploração sexual de crianças e jovens, com cerca de meio milhão de vítimas a cada ano.
A situação em Passo Fundo também é alarmante, uma vez que as autoridades são informadas diariamente sobre ocorrências ou suspeitas do tipo. Para saber mais do panorama do abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes, a reportagem da Rádio Uirapuru conversou com a conselheira tutelar Aline Goelzer, que confirmou a alta nos números registrados. Conforme ela, infelizmente o Conselho Tutelar recebe de quatro a cinco denúncias por dia envolvendo violência ou ofensa sexual, que não precisam do flagrante, pois contam com denúncias anônimas.
Aline informou que essas denúncias aumentaram muito no período pós-pandemia, pois durante o período crítico, as vítimas estavam em casa, longe do olhar da escola ou de outros parentes. Os abusos ocorrem dos mais diversos tipos, incluindo aliciamento, olhar diferente, acesso a sites pornográficos e a penetração em si.
Por isso, é muito importante observar os sinais apresentados pelas vítimas, sendo que os familiares e a escola precisam manter um olhar muito atento. Além disso, muitas crianças trazem os relatos na rede de atendimento do município, adicionando ao Disque 100 e ligações ao Conselho Tutelar.
A conselheira Aline salientou que a partir de suspeitas e relatos, os casos são encaminhados para conhecimento da polícia, através do registro de Boletim de Ocorrência, podendo chegar à denúncias junto ao Ministério Público e utilização de medidas protetivas. O Conselho Tutelar recebe denúncias pelos telefones 54 99975-9309 e 99998-1051, além do Disque 100.