Passo Fundo perde o ex-jogador de futebol Santarém aos 80 anos
Faleceu na manhã desta terça-feira (07) aos 80 anos de idade o ex-jogador de futebol Antonio Carlos Lemos Santarém, mais conhecido como Santarém.
Ele estava internado há 15 dias no Hospital São Vicente de Paulo com um câncer no fígado e hoje, por volta das 7h, teve uma parada cardíaca, vindo a falecer.
O corpo de Santarém está sendo velado no Memorial Vera Cruz, onde fica até as 20h. Posteriormente ele será levado para Porto Alegre, onde será enterrado.
A história de Santarém
O ex-jogador, nascido em Porto Alegre, iniciou a carreira atuando em times do forte futebol da várzea da Capital, como Clarão da Lua e Auxiliadora, além de também ter atuado nas categorias menores do Força e Luz.
Aos 17 anos, foi para o Cruzeiro de Porto Alegre, no ano de 1957. Levado pelas mãos do Capitão Luiz Gastão Bastos, da 5° Zona Aérea, começou na categoria juvenil e estreou na equipe principal em uma partida com portões abertos contra o Grêmio, em homenagem a Páscoa.
Santarém, no entanto, não ficou por muito tempo no Cruzeirinho. Após cerca de um ano, ele acabou indo para o Vasco da Gama, onde também teve passagem rápida. No clube do Rio de Janeiro, o ex-jogador poderia ter ido para uma excursão na Europa, mas acabou preterido, o que fez com que ele voltasse para o Cruzeiro de Porto Alegre.
A partir daí, sua história com o município de Passo Fundo estava prestes a começar. Após voltar ao Cruzeirinho, ele foi negociado com o Veterano de Carazinho, onde ficou dois anos. Em 1961, Santarém chegou à Capital do Planalto para defender as cores vermelha e branca do 14 de Julho.
No clube passo-fundense, Santarém mostrou seu melhor futebol. É considerado até hoje pelos torcedores um craque, que fazia o que bem queria com a bola. Um dos exemplos disso foi o gol antológico que ele marcou no dia 16 de outubro de 1967, frente ao Flamengo de Caxias (atual SER Caxias).
Sua carreira no futebol se confunde com períodos incríveis vividos pelo 14 de Julho, seus jogadores e sua torcida. Mas além do colorado passo-fundense, o ex-ponta também jogou por Gaúcho de Passo Fundo, Ypiranga de Erechim, o próprio Flamengo de Caxias e Guaporé. Pendurou suas chuteiras cedo, aos 32 anos de idade. Apesar disso, teve tempo para viver momentos que o eternizaram na história do futebol de Passo Fundo, cidade onde ele vivia até os dias atuais.
Além de ter sido jogador, Santarém também foi treinador e comandou o Gaúcho, a Chapecoense e o Ser Santo Ângelo. Com residência fixada em Passo Fundo, foi funcionário da Caixa Econômica Estadual por algumas décadas, onde se aposentou.
Santarém declarou certa vez que não adotou Passo Fundo, mas a cidade que adotou ele. Era bem tratado em todos os lugares que ia e foi onde formou família. Ele deixa a esposa Helenita Andreis e três filhos: Daniele, Emerson e Patrícia, além de seis netos: Saara, Vitoria, Emanuel, Teodoro, Rebeca e Pedro.
A família agradeceu a equipe médica e de enfermeiros do Hospital São Vicente de Paulo que atenderam Santarém durante os seus últimos dias de vida.