Passo Fundo mantém ritmo no mercado imobiliário apesar da Selic elevada
Foto ilustrativa
O mercado imobiliário de Passo Fundo deve encerrar 2025 com desempenho semelhante ao registrado em 2024, sem crescimento expressivo nas vendas, mas com manutenção da atividade no setor da construção civil. A avaliação é do presidente do Sinduscon Passo Fundo, Cristiano Basso, em entrevista à Rádio Uirapuru, ao comentar os dados divulgados sobre Porto Alegre, que apontaram aumento de 11% na venda de imóveis na capital em comparação com o ano anterior.
Segundo Cristiano Basso, o município ainda não tem o fechamento completo dos números de 2025, mas a percepção do setor é de um ano muito parecido com 2024. Ele explicou que Passo Fundo também sentiu a disputa do investidor entre o mercado imobiliário e o mercado financeiro, em razão da taxa Selic elevada. As vendas continuaram ocorrendo ao longo do ano, porém sem crescimento, o que deve resultar em um fechamento estável. O presidente destacou que o aumento mais expressivo registrado em Porto Alegre está relacionado, principalmente, ao nicho de alto padrão, que teve maior procura e impactou diretamente os índices da capital.
Ao fazer um balanço do setor em 2025, Cristiano Basso considerou o ano positivo do ponto de vista do posicionamento das construtoras e incorporadoras locais. Ele afirmou que Passo Fundo se consolida como o segundo polo da construção civil no Rio Grande do Sul, com destaque para grandes projetos, empreendimentos diferenciados e construtoras que receberam premiações ao longo do ano. Segundo ele, a cidade apresenta uma economia diversificada, sustentada por áreas como agronegócio, medicina, educação, serviços e indústria, e a construção civil acompanha esse movimento. Basso observou que, mesmo em anos com menor volume de comercialização, as obras seguem de forma sólida, criando base para crescimento futuro.
Sobre as perspectivas para 2026, o presidente do Sinduscon Passo Fundo afirmou que anos eleitorais costumam gerar expectativa em relação ao posicionamento da economia nacional. Ele ressaltou que os juros altos não inibem apenas a compra de imóveis, mas também investimentos de forma geral, já que o custo para captação de recursos se torna elevado. A expectativa do setor, segundo ele, é de que haja redução da taxa Selic no próximo ano, o que poderia estimular o mercado. Ele também citou fatores como eleições, eventos nacionais e a possibilidade de uma safra agrícola melhor na região como elementos que podem impactar positivamente a economia regional e, consequentemente, o mercado imobiliário local.
Em relação ao perfil dos compradores, Cristiano Basso afirmou que a maior parte das aquisições ainda é feita por pessoas na faixa etária acima dos 40 anos, tanto no médio quanto no alto padrão. Segundo ele, os jovens, em geral, ainda não dispõem de renda ou estrutura financeira suficiente para financiar um imóvel, contando muitas vezes com o apoio dos pais no início da vida adulta. Ele destacou que, para o mercado imobiliário, tanto a venda para moradia quanto para investimento mantém o setor ativo, já que sempre há investidores interessados em rentabilizar imóveis.
Sobre o tipo de imóvel mais comercializado, o presidente explicou que Passo Fundo tem forte característica de venda de imóveis na planta, favorecida pelas condições de pagamento oferecidas pelas construtoras durante o período de obra. Ele citou que, mesmo com a Selic em torno de 15% e o INCC fechando abaixo de 6% em 2025, foi possível adquirir imóveis na planta mantendo recursos aplicados no mercado financeiro. Por fim, ao comentar sobre valorização, Cristiano Basso afirmou que imóveis novos tendem a apresentar crescimento de valor nos primeiros anos após a entrega, enquanto imóveis usados, quando bem conservados e bem localizados, continuam sendo boas opções de comercialização, criando oportunidades tanto para lançamentos quanto para imóveis de repasse ao longo de 2026.