Passo Fundo já registra mais de 200 crimes sexuais contra crianças em 2023
Segundo o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, só nos seis primeiros meses de 2023, mais de 1,6 milhão de violações contra crianças foram registradas no Brasil. O Disque 100, que é o principal canal de recebimento de denúncias, registrou 244.717 ocorrências, que incluem maus tratos, exploração e abuso sexual. A cada 15 minutos, uma criança é vítima de violência no Brasil.
O crime é difícil de combater e, atualmente, no Brasil, afeta muitas crianças. A estimativa é que, todos os anos, 500 mil crianças e adolescentes são vítimas desses tipos de crimes e 51% têm entre um e cinco anos. A casa da vítima, do suspeito ou de familiares está entre os locais onde esses crimes são mais praticados. O Rio Grande do Sul é o 4º estado no Brasil em número de casos de violência contra crianças.
É preocupante o crescimento de casos ligados a violações que envolvem violências sexuais físicas – abuso, estupro e exploração sexual – e psíquicas. Nos seis primeiros meses de 2023 foram registradas, ao todo, 20.585 denúncias e 40.408 casos no Brasil. Uma denúncia pode representar mais de um caso ou mais de uma vítima.Esses números assustam e Passo Fundo vive uma situação preocupante com relação ao registro de abusos e violência contra crianças e adolescentes. Conforme dados apurados pela Reportagem da Rádio Uirapuru, tivemos neste ano, registrados na Delegacia Especializada, 182 casos de crimes sexuais contra crianças e adolescentes, informa o delegado titular Mário Pezzi.
Já no CREAS – Centro de Referência Especializado em Assistência Social, que fica junto a SEMCAS, neste ano dos 262 acompanhamentos 64 são de abuso sexual. Em Passo Fundo existe uma rede de proteção completa e com gestão plena, envolvendo o Judiciário, Ministério Público, Secretaria de Assistência Social (CREAS – Centro Especializado em Assistência Social), Defensoria Pública, Delegacia Especializada, Conselho da Criança e Conselho Tutelar com duas micros que integram dez conselheiros.
A violência costuma ser praticada por pessoas da família ou próximas da família. A especialista em criança vitima de violência sexual, Karina Bona, cita que é preciso observar a proximidade excessiva. Afirma que a violência costuma ser praticada por pessoas da família ou próximas da família na maioria dos casos. O abusador muitas vezes manipula emocionalmente a criança, que não percebe estar sendo vítima e, com isso, costuma ganhar a confiança fazendo com que ela se cale.
Além disso existem outras situações que precisam ser observadas com muita atenção: Comportamentos infantis repentinos, silêncio predominante, mudança de hábitos, comportamentos sexuais, traumatismos físicos, negligência e frequência escolar…