Passo Fundo contabiliza milhares de atendimentos à população de rua em meio a debate sobre segurança e políticas públicas
Em entrevista ao programa Sem Segredo da Rádio Uirapuru, a secretária municipal de Cidadania e Assistência Social (SEMCAS), Elenir Chapuis, o comandante do 3º RPMon da Brigada Militar, tenente-coronel Marcelo Scapin Rovani, e o vereador Luiz Valendorf debateram a complexa questão das pessoas em situação de rua na cidade. O debate revelou uma rede municipal estruturada, mas também expôs a preocupação da população com a segurança e os desafios de um problema multifacetado. A secretária Elenir Chapuis apresentou um panorama detalhado dos serviços e números que compõem a rede de apoio em Passo Fundo. Ela destacou o Serviço de Abordagem Social, que funciona todas as noites da semana, incluindo finais de semana, com o objetivo de criar vínculos e identificar as necessidades de cada indivíduo.
Até outubro deste ano foram feitas 690 abordagens realizadas. No ano de 2024, foram mais de mil, segundo Elenir. O Centro POP (Serviço Especializado para Pessoas em Situação de Rua) foi outro pilar destacado, com mais de 6 mil atendimentos em 2024, e mais de 5 mil até outubro deste ano, envolvendo1.395 pessoas. A secretária ressaltou que, dentre os atendidos, foram identificados mais de 800 usuários de crack e 260 imigrantes. Elenir também citou a Casa de Passagem – uma das apenas 14 no Rio Grande do Sul – e enfatizou que a rede de Passo Fundo atrai pessoas de outras cidades e trouxe um dado importante sobre o número de pessoas que são reencaminhadas aos seus municípios de origem. Foram 194, de janeiro a outubro deste ano. A Semcas também encaminhou 123 pessoas para o mercado de trabalho. Através da secretaria da saúde foram feitas 102 internações hospitalares e 103 encaminhamentos para comunidades terapêuticas e residenciais terapêuticos.
Abordagens de segurança
O tenente-coronel Marcelo Scapin Rovani, comandante do 3º RPMon, explicou que a atuação da Brigada Militar ocorre principalmente via denúncias ao 190 ou por conhecimento das equipes. Ele detalhou os tipos mais comuns de ocorrências envolvendo a população de rua, a maioria homens, como furtos para comer ou comprar drogas, a posse de armas brancas (facas, canivetes) e a perturbação do sossego.
Rovani descreveu o protocolo de abordagem, que prioriza a segurança dos policiais pela presença comum de armas brancas, e enfatizou o trabalho em conjunto com a SEMCAS. “A gente sempre tenta dar um encaminhamento para a rede de suporte que o município tem”, disse, destacando que a qualidade da rede de Passo Fundo atrai pessoas de outros municípios, que chegam até mesmo por meio de veículos oficiais de outras prefeituras.
Internação compulsória
Representando a preocupação de parte da comunidade, o vereador Luiz Valendorf afirmou que a população “está com medo”. Ele citou episódios recentes, como o de um indivíduo conhecido como “urso polar”, para embasar seu discurso. Valendorf defendeu uma atuação mais rápida e diária do poder público e propôs medidas mais duras. “Se a pessoa está aqui em Passo Fundo, está em situação de rua, não quer ser ajudado pelo poder público… tem que ser… feita uma internação compulsória dessas pessoas”.
Além disso, o vereador sugeriu que pessoas que não são de Passo Fundo e não aceitam ajuda sejam reencaminhadas para suas cidades de origem. “Nós temos que tirar, pessoal, essas pessoas das ruas… infelizmente, às vezes, da forma mais rápida é um remédio amargo”, concluiu, anunciando que, como futuro presidente da Câmara, pretende discutir o tema com mais rigor. O debate evidenciou o equilíbrio delicado que o poder público precisa manter entre a oferta de uma assistência social humanizada e digna, a garantia da segurança da população e a pressão por soluções imediatistas para um problema social complexo e de longo prazo.