Passo Fundo aposta em novos modelos de turismo para gerar renda e atrair visitantes
O desenvolvimento de uma cidade vai além de obras e números. Ele depende de planejamento, continuidade de políticas públicas, capacidade de atrair investimentos e da integração entre setores como indústria, serviços, inovação e turismo. Em Passo Fundo, esse conjunto de fatores tem fortalecido o papel do município como polo regional, com impacto direto na economia e na qualidade de vida da população.
Esse cenário foi detalhado pelo secretário de Desenvolvimento Econômico, Adolfo de Freitas, em entrevista ao programa Fala Passo Fundo, da Rádio Uirapuru, exibido no último sábado, 25. Ele explicou que o conceito de desenvolvimento econômico evoluiu, deixando de ser restrito à indústria e ao comércio e passando a abranger também o agronegócio, a inovação, os serviços e a infraestrutura, base que sustenta o crescimento social e os investimentos públicos em áreas essenciais.
Dentro dessa lógica, o turismo ganhou protagonismo na fala do secretário, especialmente pela mudança de entendimento sobre o tema. Ele explicou que Passo Fundo não depende apenas do turismo tradicional, ligado a paisagens ou lazer, mas desenvolve diferentes modalidades que movimentam a economia ao longo de todo o ano. Entre elas está o turismo laboral, formado por pessoas que vêm à cidade para trabalhar em obras e projetos, permanecendo por períodos prolongados e consumindo no comércio local, em restaurantes e serviços.
Também foi mencionado o turismo educacional, com estudantes que chegam à cidade para cursos de graduação, mestrado e doutorado, além do turismo de eventos, especialmente no meio tradicionalista. Atividades como rodeios e competições na região da Roselândia chegam a reunir milhares de pessoas aos finais de semana, gerando consumo em diversos setores, ainda que esse movimento não seja percebido diretamente no centro da cidade.
Para fortalecer esse segmento, o município vem estruturando políticas públicas específicas. Entre as ações estão o funcionamento do Conselho Municipal de Turismo, a criação do Plano Municipal e a realização de eventos como o Fórum Regional de Turismo, que terá nova edição em 19 de maio. A proposta é qualificar o setor, integrar municípios e estimular novos projetos.
Nesse contexto, o secretário também citou iniciativas voltadas à criação de rotas turísticas, como a região de São Roque, que deve receber melhorias de infraestrutura, incluindo asfaltamento e incentivo a produtores locais para comercialização de alimentos coloniais. A estratégia segue modelos já consolidados na região, como rotas gastronômicas que atraem visitantes e geram renda direta.
Outro projeto que pode transformar o turismo local é o das águas termais. Um poço perfurado em 2010 revelou água com temperatura superior a 30 graus, e o município trabalha na atração de investidores para um empreendimento de grande porte. O projeto, apresentado inclusive a investidores internacionais, pode alcançar valores próximos a 500 milhões de reais e tem potencial para alterar significativamente o perfil turístico da cidade.
O crescimento do turismo também se reflete na rede hoteleira. O secretário destacou que há investimentos em ampliação e modernização de hotéis, além da construção de novos empreendimentos. Esse movimento é interpretado como um indicativo claro de demanda crescente, especialmente ligada ao turismo de negócios e à presença de profissionais que chegam à cidade para atuar em projetos industriais e de infraestrutura.
Além do turismo, a entrevista trouxe dados expressivos sobre o desempenho econômico. Em 2025, Passo Fundo foi o terceiro maior pólo exportador do Rio Grande do Sul, mesmo sem possuir estrutura portuária. No mesmo período, foram abertas mais de oito mil empresas, com média superior a 30 novos negócios por dia útil. Apenas no primeiro trimestre de 2026, foram mais de dois mil novos CNPJs.
O crescimento econômico também trouxe desafios, como a dificuldade de preencher vagas de trabalho, muitas vezes ligada à falta de qualificação ou ao desencontro entre o perfil dos candidatos e as exigências das empresas. Para enfrentar essa realidade, o município criou iniciativas como o Café com Emprego e a Escola das Profissões, além de parcerias com instituições de formação. Nesse cenário, os imigrantes têm papel complementar, ocupando vagas não preenchidas por trabalhadores locais, especialmente em setores como indústria e alimentação.
A modernização do mercado também foi destacada. Novas profissões surgem com o avanço da tecnologia, como operadores e técnicos de drones, enquanto áreas tradicionais passam por transformação, exigindo qualificação técnica mais avançada. Esse movimento também é visível na construção civil, que vive um momento de expansão, com mais de cem prédios em construção simultaneamente e a adoção de novos métodos, como estruturas em aço.
No campo da infraestrutura, o aeroporto foi apontado como um dos principais ativos estratégicos da cidade. A concessão à iniciativa privada deve ampliar a capacidade operacional, incluindo a possibilidade de voos de carga, o que pode atrair centros logísticos e grandes empresas de distribuição.
Outro destaque é o projeto industrial ligado à produção de etanol, que já movimenta investimentos bilionários e atrai profissionais de diversas regiões do país. Esse tipo de empreendimento reforça a posição de Passo Fundo como polo industrial e tecnológico.
A entrevista também abordou a importância da estabilidade política como fator de atração de investimentos. O secretário ressaltou que a continuidade administrativa e o diálogo entre diferentes gestões contribuem para um ambiente de segurança jurídica, considerado essencial para empresários.